Mais do que uma escola revolucionária no ensino do Design, Arte e Arquitetura, a Bauhaus foi um movimento de transformações, nestes dois últimos, que marcou o século XX. Fundada na Alemanha em 1919 sob a direção do Arquiteto Walter Gropius – que incluía também em seu corpo docente artistas de vanguarda como Wassili Kandinski e o arquiteto Mies Van der Rohe - ela foi responsável por fixar diretrizes estéticas que se difundiram em outros países do Ocidente. A harmonia entre 'forma' e 'função', sem detalhes decorativos supérfluos – na Arquitetura e nos objetos da vida cotidiana – era um princípio da nova era funcionalista.
"A arquitetura é a meta de toda a atividade criadora", são palavras de Walter Gropius, no primeiro manifesto redigido em 1919. A Bauhaus tinha uma proposta clara e inovadora de integração entre Arte e Sociedade, a criação de uma estética humanista do mundo moderno, com uma vontade mais ampla de adequar a sociedade à realidade tecnológica do século, dominado pela Revolução Industrial; enfim, ordenar o espaço moderno de convivência.
A Bauhaus abriu o campo para o Desenho Industrial – móveis, luminárias, pesquisas de tecido, artes gráficas. Definiu um estilo para seus produtos – ausentes de qualquer ornamento, que levassem em conta o lado prático e econômico –, cujos protótipos saíam de suas oficinas para a execução em série na indústria. Os objetos produzidos pela indústria deveriam ser um misto de Engenharia e Arte, beleza e funcionalidade, dentro do compromisso Arte / Sociedade de convocar a participação do trabalho do artista para construir uma alternativa racional, a fim de humanizar o novo ambiente comprometido com a 'máquina'. Um sonho logo absorvido pela sociedade capitalista e transformado em dispositivo de acionar a competição e o consumo.
Após Hitler fechar as suas portas, grande parte dos professores e alunos já havia partido para outros países, divulgando suas idéias, até chegarem à América, como os arquitetos Walter Gropius – que lecionou em Harvard – e Mies Van der Rohe, um dos principais arquitetos da remodelação de Chicago. O ensino inovador da escola já havia se difundido nos principais centros de Arte. A Bauhaus exerceu uma influência extraordinária sobre a Arquitetura do século XX, no mundo ocidental; um estilo marcante pelas linhas retas dos prédios, ambientes claros, espaços bem aproveitados e pela ausência de adornos. Estilo que chegou também ao Brasil através de ex-alunos da antiga escola, hoje esquecidos, como o alemão Alexandre Altberg e o belga Alexandre Buddeus.
No Brasil, a Arquitetura Moderna foi importada e adaptada através da versão francesa, principalmente com a vinda do arquiteto Le Corbusier, a convite do ministro Gustavo Capanema, na segunda metade da década de 1930, para realizar estudos para o projeto do Ministério de Educação e Cultura (MEC), projeto este que foi desenvolvido por uma equipe de jovens arquitetos brasileiros, como Oscar Niemeyer, Lúcio Costa e Affonso Eduardo Reidy, obedecendo ao traçado do mestre. Porém, na primeira fase do Modernismo, foram os alemães que influenciaram a arquitetura brasileira, pioneiros no uso do concreto armado, bastante difundido e utilizado na nossa arquitetura.
Na Bahia, a Arquitetura Moderna – também nesse primeiro momento do Modernismo –, apareceu sobre influência alemã. Destaca-se o Instituto de Cacau da Bahia, localizado no Centro comercial de Salvador, como um dos poucos exemplos, no Brasil, de uma arquitetura influenciada pelos princípios da Bauhaus. Projeto do arquiteto belga, e ex-aluno da referida instituição, Alexander Buddeus. Uma arquitetura com um toque expressionista, como podemos observar em alguns projetos do mestre Gropius.
Seu grande impacto na arquitetura é percebido com maior vigor na Europa, Estados Unidos, Canadá e Israel (particularmente na Cidade Branca, em Tel-Aviv), segundo levatamento e pesquisa de historiadores, de 1933 até o ano de 2004, havia-se construído cerca de 4000 edifícios, contando projetos de alunos da Bauhaus, pupilos e outras academias seguidoras das idéias da Bauhaus.
Com o design funcionalista defendido pelos diretores da instituição, tivemos uma das mais importantes contribuições que a Bauhaus produziu pelas mãos de seus alunos, que através do domínio de elementos e materiais diversos como metais, madeira, couro, espumas e tecidos, estes serviram de base para desenvolvimento de projetos de mobiliário moderno. Objetos, poltronas, sofás e cadeiras, até hoje são largamente utilizados no design de interiores de todo o mundo, como por exemplo a cadeira barcelona de Mies Van der Rohe, e tantas outras, umas repaginadas, reeditadas, ou simplesmente replicadas como originais.
Atualmente a Bauhaus de Weimar mantém a sua liderança como uma das melhores universidades na Alemanha, lecionando sobretudo o ramo da arquitectura, mas estando também integrada num núcleo de outros pólos de ensino ligado às artes e de onde se destaca design, música, entre outros. O ensino da Bauhaus encontra-se intrínseco na própria forma de leccionar da escola actualmente, baseando-se muito na experimentação prática de ideias e na realização de seminários e workshops para confronto de conhecimentos. O edifício inicial projetado por Walter Gropius sofrera inúmeras modificações após a Segunda Guerra. Em 1994 iniciou-se um processo de reforma visando restabelecer ao edifício sua condição original. O empreendimento foi promovido pela Fundação Bauhaus e coordenado pela arquiteta Monika Markgraf. Devido a inexistência do projeto original o trabalho foi árduo e concluído somente em 2007.
Ariela Vieira
Gabriela Vieira
Roberto Scot
Tarsila Araújo - Design de Interiores
Professor!! Meu nome tá errado!
ResponderExcluiré Ariella