domingo, 15 de novembro de 2009

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terça-feira, 14 de julho de 2009

Arte Moderna - Vanguardas Artísticas

As enormes modificações que a tecnologia e a fabricação em massa, que se avolumaram com a crescente urbanização geral das sociedades durante o século 19, não podiam deixar de afetar as artes. O próprio movimento de secularização do estado e da sociedade, iniciado com a Revolução Francesa de 1789 e aprofundado com a Revolução de 1848, fez com que novos rumos temáticos e estéticos fossem buscados pelos artistas e pelos literatos. Primeiro os pintores e, em seguida, os escultores, sentiram-se profundamente afetados pela invenção da fotografia (1839), que logo passou a dominar os mais amplos campos da realidade: do retratismo à paisagem.

Salvador Dalí- Desnudo en un paisaje, 1922-1923

O trajeto da arte moderna no século XIX acompanha a curva definida pelo romantismo, realismo e impressionismo, o rompimento com o “passado” primeiramente surgiu com o Movimento Impressionista, numa época em que a fotografia se expandia, a arte já se mostrava defasada, redundante, os artistas saíram dos ateliês rumo às ruas, para retratar pessoas comuns em seu dia a dia nos parques, nos cafés, rompendo com os conceitos acadêmicos, tanto com a temática quanto com a forma, desta nova forma de se fazer arte que a arte moderna emergiu, levantando a idéia que persiste ate os dias de hoje, de que INOVAR é essencial, fazendo da aversão ao passado o seu preceito fundamental.

Wassily Kandinsky. Gorge improvisation, 1914. Óleo sobre tela.

O Modernismo se entendia como essa negação ao academicismo, buscando novas formas de se fazer arte, de se trabalhar com as cores, simetria, volume etc. distanciando assim cada vez mais da perfeição representativa da arte clássica. Dentro desse movimento modernista surge a Arte Moderna, o termo engloba os movimentos de vanguardas artísticas do inicio do século XX, futurismo, cubismo, expressionismo, suprematismo, construtivismo, dadaísmo, surrealismo, etc. até meados da década de 60.
A arte moderna se concentrava menos na realidade visual externa e mais na visão interna do artista, a arte do inicio do século XX não apenas decretou que qualquer tema era adequado, como também libertou a forma e a cor da obrigação de representarem com exatidão os objetos.

Fovismo

O primeiro movimento importante de vanguarda foi o fovismo mesmo durando apenas quatro anos. “O fovismo não é tudo, é apenas o começo de tudo” comentou Matisse, um dos mestres do fovismo. O movimento nunca se nomeou um movimento, embora os artistas como, Derain, Vlaminck, Rouault, Braque, Dufy trabalhassem juntos e tivesse Matisse como seu porta-voz. Os fovistas buscavam cores vibrantes, que expressassem os sentimentos diante das imagens, sem a obrigatoriedade de serem fiéis as cores reais.

Matisse, Harmony in Red- 1908

Matisse fora um dos principais artistas da arte moderna, libertando o uso das cores, ele dizia que a cor deveria expressar nossas próprias emoções, Matisse buscava reter apenas as qualidades essenciais do tema, em seus últimos anos fora tomado pela artrite, doença que o impossibilitou de continuar pintando, então ele se dedicava a recortar formas imaginarias em papel colorido para fazer enormes e alegres colagens, em suas colagens Matisse manteve o que mais valorizava em suas pinturas, as cores vivas e uma forma simplificada quase “minimalista”.

Maurice de Vlaminck, Tugboat on the Seine, Chatou, 1906

Vlaminck era um dos fovistas mais extremos, excessivo, exaltado e com uma tremenda vontade de revolucionar, era fortemente apaixonado e influenciado por Van Gogh, juntamente com Derain, passou a esguichar tinta do tubo diretamente na tela, formando grossas camadas que eram espalhadas com espátulas.
Derain foi uma figura importante no fovismo e um dos percussores do cubismo. Outros artistas fovistas Dufy e Rouault também usavam das cores fortes, porém o primeiro pintava imagens alegres, festas em jardins, corridas de cavalo, enquanto o segundo se diferenciava dos demais fovistas, por pintar imagens cheias de sofrimento e dor.

. Dufy.

Cubismo

Quase que paralelamente ao fovismo, surgiu um dos principais pontoxs da arte no século XX, o Cubismo, foi Matisse quem nomeou o movimento, ao ver uma paisagem de Georges Braque, Matisse afirmara que não passava de “cubinhos” e o nome pegou.

Picasso. Guitar, 1912 Picasso: Guitar, 1924

O Cubismo não era exatamente definido por cubinhos. Os artistas cubistas, Picasso, Braque, Gris e Léger, na verdade quebravam os objetos em pedaços. O cubismo se dividiu em duas fases,
O Cubismo Analítico; onde as formas dos objetos eram analisadas, partidas em fragmentos espalhados pela tela, e o Cubismo Sintético;onde Braque e Picasso inventaram uma nova forma de arte denominada “colagem”, eles incorporavam letras de estêncil e recortes de papel as pinturas.

Georges Braque. Garrafa, jornal, cachimbo e copo, 1913.

Juan Gris e Fernand Léger também contribuíram significativamente para o cubismo sintético.
Manifesto Cubista;
(artigo: éditations esthétiques/Sur la pinture) (Apollinaire, Picasso, Braque Cézanne,Cendras, Cocteau) 1913: decomposição da estrutura clássica, representação da realidade pelas estruturas geométricas, em busca da verdadeira beleza.

Pablo Picasso. As Meninas (1957).

Futurismo

Na década seguinte ao surgimento do cubismo, a Europa passava por extremas mudanças, a primeira guerra mundial, a revolução russa, e a tecnologia que se desenvolvia aceleradamente, neste contexto caótico os artistas buscavam novas formas de se expressarem diante dos fatos, surgindo movimentos como o futurismo e o construtivismo.
O Futurismo surgiu na Itália, inicialmente na literatura com Marinetti e logo invadiu o campo das artes, artistas como Umberto Boccioni, Giacoma Balla, Carlo Carrã, Luigi Russolo e Gino Severini buscavam reverenciar o novo, a revoloção tecnológica, as ferrovias, aviões, todo o movimento da vida contemporânea.

Balla. The Dynamism of a Dog on a Leash, 1912

Os futuristas se mostravam hostis com a arte clássica, Boccioni ,líder do futurismo, traduzia bem as crenças de Marinetti, que julgava um carro em movimento mais belo que qualquer obra renascentista, Boccioni se voltou para as eculturas, almejava reviver a arte das esculturas, dar um novo sentido a elas, a sua obra “ Formas Unicas de Continuidade no Espaço” mostrava toda a força e dinamismo da vida moderna,

Boccioni.Formas Únicas de Continuidade no Espaço- 1913

Aos 34 anos Boccioni sofreu um acidente de cavalo e faleceu, não tardou e o futurismo também teve seu fim.
Manifesto Futurista ;
(Marinetti, Maiakóvski) 1909: celebração do moderno quebra total com o passado (museus são antiquados, “urnas funerárias”) e com a mitologia. Culto à velocidade, ao avião, ao automóvel, ao movimento em geral.

Suprematismo

Outro pioneiro da arte abstrata foi Malevich, ele buscava liberar a arte do objeto, pintava quadrados flutuando sobre fundos brancos, e mais tarde, quadros branco sobre o branco, buscando simplificar tanto as cores como as formas ao estado mais puro.
Manifesto Suprematista;



(Kassimir Malevitch, Maiakóvski) 1915: deposita na emoção a primazia suprema sobre qualquer outra consideração artística, seja de experiência psíquica ou real. Acolhe a natureza como "emoção não-cognitiva", e afirma a radicalização do abstracionismo geométrico.

K. Malevitch. Non-objective composition, 1915. Óleo .

Construtivismo

A pintura que elege formas geométricas puras como conteúdo, encontra suas raízes no Suprematismo. O Suprematismo evolui, modifica-se e recebe o nome de Construtivismo. O escultor russo Naum Gabo (1890-1977) destacou-se no Construtivismo russo e na Arte Cinética.

Naum Gabo. Construction in Space with Crystalline Centre 1938-40, Perspex and celluloid (Sa).

Derivado do Suprematismo era um movimento que vangloriava a vida moderna era o Construtivismo, surgido na Rússia, tinha como características a arte geométrica que refletia a tecnologia moderna. Por volta de 1914, Tatlin inaugurou a arte geométrica russa. Chamando a de arte abstrata e “construtivismo”, pois propunha construir a arte, Tatlin usava matérias industrializados., como vidro, plástico , metal, em composições tridimensionais, além de Tatlin , o construtivismo teve outros artistas como: Ilya Chashnik, Alexandra Exter, Naum Gabo, El Lissitzky, Antoine Pevsner, Lyubov Popova, Aleksandr Rodchenko, Olga Rozanova, Varvara Stepanova, Aleksandr Vesnin.



O Construtivismo marcou o fim de uma era brilhante. Em 1925, o Comitê Central do Partido Comunista saiu contra a abstração; em 1932 todos os grupos culturais foram dispersos, e em 1934 um novo estilo de propaganda do realismo social se tornou a única abordagem artística oficial da União Soviética.
Neo-plasticismo

O Neoplasticismo é um dos movimentos construtivistas do início do séc. XX. Sua característica é a busca de objetividade, é o desejo de declarar-se anti-individualista, e pretender a universalidade e a permanência. O holandês Piet Mondrian foi considerado o pai do Neoplasticismo.
Sua obra, de rigorosa disciplina geométrica, baseia-se no dualismo horizontal-vertical, no ângulo reto, no uso das cores primárias e dos tons preto, branco e cinza. A herança cultural de Mondrian e sua formação artística, influenciada por Georges Braque e Pablo Picasso, são elementos que determinam a abstração geométrica desenvolvida por Mondrian no Neoplasticismo. Mondrian procura, pesquisa e consegue um equilíbrio composicional, despojado de todo excesso de cor, linha ou forma. Nada deve ser supérfluo em sua obra, que terá grande influência na arquitetura moderna.

Piet Mondrian. Composition RYB.

Dadaísmo

O Dadaísmo fora fundado em Zurique, território neutro, em 1916 por um grupo de refugiados da I Guerra Mundial. O movimento que durou 7 anos parecia muitas vezes sem sentido, mas tinha como objetivo protestar contra a guerra, onde as atrocidades eram tamanhas que cultivar o absurdo não seria um “absurdo”. O dadaísmo saiu de Zurique e se expandiu pela França, Alemanha e Estados Unidos, buscando denunciar as loucuras do mundo, escandalizando e subvertendo os valores.

Hans Arp: "Estojo de um Da", 1920 Kurt Schwitters: "Mz 26, 41. okola", 1926
Madeira policromada, 27,5 x 39 cm Colagem, 17,5 x 14 cm

Entre os Dadaístas como Hans Arp e Schwitters, Marcel Duchamp foi de fato o mais importante, e uma das figuras mais influentes da arte moderna, inspirando diversos movimentos seguintes ao dadaísmo, Para ele a concepção da obra valia mais que o resultado final, sendo a idéia parte principal desta. Duchamp inventou uma nova forma de arte chamada ReadyMade, que usava objetos prontos para a concepção da obra de arte, seja em composições ou como no caso de sua mais polemica obra, um urinol de porcelana com a assinatura R. Mutt. Duchamp introduziu a idéia de que se um objeto é tirado de seu meio, e é colocado diante do espectador, perde sua característica usual para ser “arte”, mudando o conceito do que de fato pode ser considerado como arte.

Marcel Duchamp. Fonte. 1917.

Manifesto Dadaísta;
(Tristan Tzara, Franz Jung, Marcel Duchamp, Picabia e Man Ray) 1919: "Dadá é o diluvio após o que tudo recomeça"; o que havia era a guerra, o nada. O artista devia produzir uma antiarte, uma antiliteratura.

Surrealismo

Manifesto Surrealista;
(Andre Breton, Louis Agarro, Aratu, Paul Enludra, Salvador Dali e Luís Buñuel) 1924: influencia da psicanálise de Freud. Ênfase nos sonhos, e nas hipnoses. Exploração do inconsciente, do sonho, do fantasioso.
Derivado do movimento dadaísta surge o surrealismo, que floresceu na Europa e Estados Unidos, nas décadas de 20 e 30.

Max Ernst. Celebes. 1921.

O movimento iniciou na literatura, promovido por André Breton, influenciado pelas teorias de análise de sonhos freudianas. Logo tanto poetas como pintores começaram a fazer experiências com o automatismo - uma maneira de criar sem controle consciente - para despertar o imaginário inconsciente. O surrealismo buscava ir além da realidade, chegando ao irracional, ao fantasioso, ao bizarro que não era entendido por meio da lógica.

Miró. Carnical of Arlequin, 1924.

O movimento se dividiu em duas vertentes, uma que seguia a arte improvisada, o automatismo, como no caso dos pintores Miró e Max Ernst e outra que usava de técnicas rigorosamente realistas para expressar cenas alucinatórias, como no caso de Salvador Dalí e René Magritte.
De fato todas as pinturas surrealistas desafiavam o senso comum, imagens de submundos psíquicos, fantasiosas, ininteligíveis que iam além da razão, promovendo uma atenção mental extra no expectador.

Expressionismo

Manifesto Expressionista ;
(Kassimir Edschmid, V.Kandinsky, Franc Marc, Egon Schiele, F. Murnau (cinema) 1917: arte resultante da expressão da vida interior, de imagens que se originam do fundo do ser. Artista instrumento da expressão, contra o positivismo e contra o naturalismo.

Edvard Munch. Cinzas (1894). Óleo sobre tela. 120 x 141 cm.

O expressionismo tinha como idéia a dissolução da forma convencional, o uso abstrato da cor, a emoção vigorosa, a psique do desconhecido, o uso dos símbolos e o enaltecimento da alma humana. O expressionismo tenta refletir um mundo interior de significado, logo o desespero e a neurose de um povo derrotado, transfigurado em uma idéia de reforma social.
O vocábulo Expressionismo é uma criação da estética alemã, vinculada a Revista Der Sturm (A Tempestade).

Paisagem de Van Gogh.

Os precursores deste movimento apareceram no século XIX, sendo Van Gogh, Ensor e Munch, mas o movimento acabou firmando-se com dois grupos, Die Brücke (A Ponte), de Dresden, em 1905 e o Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul), de Munique, em 1909.
o expressionismo foi um "movimento de muita dinamicidade, a ponto de, ao liberar energias de forma tão febril, criar uma impressão inicial de caos absoluto.
“O expressionismo nada mais é que uma prospecção de estados fronteiriços e posições extremas, que freqüentemente implicam crises de indecisão e gestos hiperbólicos dirigidos simultaneamente em direções contrárias", afirma Roger Cardinal.

Expressionismo alemão - “Der blaue reiter”

Desde o Impressionismo, a arte abandona a representação da natureza, como expressão fotográfica. Gradativamente, a forma vai perdendo o seu significado específico, de algo natural, descompromissado com a realidade física. Torna-se antinaturalista.A arte abstrata altera os valores formais da arte, passando do mundo concreto para o subjetivo.
O artista cria suas imagens. A natureza é uma fonte de idéias, mas o artista moderno tem nova percepção do mundo. Ele expressa uma realidade interior. O abstracionismo apresenta várias fases, desde a mais sensível até a intelectualidade máxima.
Esses artistas aprofundam-se em pesquisas cromáticas alcançando efeitos de perspectiva através das tonalidades e matizes obtidos. Querem e criam um Expressionismo abstrato, que transmite sensibilidade e emoção.
Em 1910 surge em Munique outro movimento de arte vanguardista, O Cavaleiro Azul (Der Blaue Reiter) fundado por Wassily Kandinsky.
O objetivo do grupo era o de unir sob um mesmo ideal artístico criadores de várias nacionalidades e diferentes expressões, ultrapassando as barreiras culturais e ideológicas. Estes artistas concebiam a sua atividade criativa como um produto da unidade existencial entre o homem e a natureza. A base das obras seriam as experiências pessoais, as sensações e os sentimentos subjetivos de cada um.

Wassily Kandinsky. View of Murnau, 1908. Oil on cardboard 33x44.5 cm.

A arte dos elementos de A Ponte caracterizou-se por uma linguagem plástica rude e agressiva na forma e nos conteúdos.Recorreram a uma linguagem visual direta e não convencional, transformando a realidade num código pictórico. Desse modo aproximaram-se de modos de representação arcaizantes e primitivos. As redescobertas, por parte de Kirchner, das técnicas da xilogravura e da gravura sobre metal, contribuíram para o endurecimento formal das figuras, através da acentuação e simplificação das linhas de contorno.

Ernst-Ludwig Kirchner. Auto-retrato. xilogravura.

Action Painting;

Assim é chamado o Expressionismo abstrato americano. No início dos anos 40, surge em Nova Iorque, um estilo original de pintar, é a “Action Painting” ou pintura de ação, criada por Jackson Pollock (1912-1956).
A pintura de ação revolucionou a arte americana ao tentar ignorar o automatismo psíquico da criação e tentar traduzir apenas o gesto ou ação de pintar. Sua pintura é linear, caligráfica, inspirada escrita japonesa, sua característica maior é o movimento, resultado de um gesto, derramando a tinta ou usando bisnagas, baldes, pincéis ou mãos sobre o suporte estendido no chão.

Jackson Pollock. Number 8. 1949.

Espontânea, livre e instintiva é a pintura de Pollock: é um espaço sem tempo, sem lugar. É o espaço polisensorial. Não há volumes. Há uma sucessão de rabiscos e manchas coloridas.

Modernismo no Brasil.
A primeira mostra de arte não acadêmica realizada no Brasil foi feita por um estrangeiro, Lasar Segall, em 1913, nas cidades de São Paulo e Campinas. Entretanto, suas exposições não causaram grande repercussão.

Lasar Segall. A Família

A exposição de Anita Malfatti parece ter sido o estopim para a reunião desses artistas ansiosos por mudanças. Em 1922, possivelmente através de uma sugestão de Di Cavalcanti, a Semana de Arte Moderna seria realizada, marco do Modernismo brasileiro. Reunindo diversas atividades como leituras de poemas, espetáculos de dança e exposição de artes plásticas o evento iria sacudir São Paulo dos anos 20.

Tarsila do Amaral. Abaporu

Buscava que a arte brasileira estivesse tão atualizada quanto a internacional, nada devendo àquela em qualidade e, ao mesmo tempo, conservasse as características nacionais., o evento foi bastante significativo por reunir artistas talentosos ansiosos por renovações.. A partir de 1924, começam a surgir as divisões do Movimento Modernista, principalmente a partir do pau- brasil (Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, entre alguns membros) e do verde- amarelo (Menotti del Picchia e Plínio Salgado, como alguns dos representantes). A valorização do caráter nacional era importante para as duas correntes, entretanto o pau-brasil não abria mão da atualização da arte brasileira, tomando como parâmetro as produções internacionais, enquanto o verde-amarelo era mais apegado às tradições e cauteloso em relação aos movimentos vanguardistas estrangeiros. À década de 30 coube sedimentar e oficializar as conquistas modernistas. Movimentos artísticos europeus, principalmente o Expressionismo e o Cubismo inspiravam então artistas como Cândido Portinari, Guignard e Bruno Giorgi

Candido Portinari. Mulher e criança.

A temática social passaria ser grande fonte de inspiração para a geração Modernista dessa década e a técnica, que tinha assumido uma posição secundária durante os anos 20, volta a ser valorizada. O Modernismo até então, salvo alguns esforços de artistas isolados, permanecia restrito ao eixo Rio-São Paulo. Em 1944, uma exposição modernista em Minas Gerais, patrocinada pela prefeitura da capital do estado na gestão de Juscelino Kubitschek, marcaria o início do Modernismo nesse estado. 1944 também marca o início do Modernismo baiano, seguido pelo Paraná e Recife e Ceará. Enquanto a Europa procurava romper com o peso da arte passada e o abstracionismo era extremamente valorizado, no Brasil o Modernismo assumia mais a função de promover uma atualização da arte brasileira capaz de ajudar na consolidação da identidade nacional e não abria mão do figurativismo. A partir principalmente de meados da década de 40 e o pós-guerra uma arte não-figurativa começa a ser praticada e valorizada por artistas brasileiros. Em São Paulo surge o grupo Ruptura, liderado por Waldemar Cordeiro, mais ortodoxos e contrários à subjetividade. No Rio de Janeiro, em torno de Ivan Serpa, surge o Grupo Frente, menos homogêneo que o paulista e mais baseado na liberdade de criação.
A I Exposição Nacional de Arte Concreta intensifica as divergências entre os grupos das duas cidades. Surge então o neo-concretismo, originado principalmente a partir do grupo carioca, contrário à rigidez concretista dos paulistas e mais preocupado com a expressão. A experimentação passa a ser de extremo valor para os neo-concretos.

Lygia Clark.Plano em Superfícies Moduladas nº 2, 1956.Tinta industrial s/ celotex, madeira e nulac.90,1 x 75.

Destacam-se os neo-concretos Lygia Clark e Hélio Oiticica como artistas de grande contribuição para a discussão do papel da arte e do artista, permanecendo como importantes figuras de vanguarda nacional, mesmo após a dissolução do movimento.
Os anos 60 marcam o fim do Modernismo Brasileiro, sendo extremamente diversificada a produção artística no país nas décadas seguintes.

Bianca Thereza da Silva Borges - Artes Visuais – Licenciatura

domingo, 12 de julho de 2009

Design Gráfico na Bauhaus

Símbolo da Bauhaus.

1. Histórico

No mesmo ano em que a recém fundada República Alemã assinava o Tratado de Versalhes, assinado em Paris em 1919, o movimento modernista germânico dava um importante passo para a consagração internacionalmente. Naquela ocasião, em sintonia com uma época inaugurada por revoluções, golpes e tumultos de toda ordem que se estenderam pelos anos vinte, um reduzido grupo formado por profissionais das mais variadas atividades artísticas e técnicas, liderado pelo o arquiteto Walter Gropius lançou na cidade de Weimar, a “Atenas” da Alemanha, o Manifesto da Bauhaus, em abril de 1919.
A ação de vanguarda deles iria provoca uma alteração duradoura na história da arquitetura e das artes plásticas em geral. Começava então uma das mais importantes transformações do século 20: a aliança entre a estética e a tecnologia, entre o artista e a indústria.
Desde tempos imemoriais artistas e artesãos ocupavam espaços distintos no universo das artes em geral. Os primeiros sempre se viram como um espécie de aristocracia das belas artes, os favoritos das musas, enquanto os artesão, humildes, tinham como inspirador a Hefesto, o deus corcunda da forja que, infeliz, malhava o ferro incandescente na bigorna numa oficina nos subterrâneos da Terra, suando por todos os poros em meio às labaredas e às ferramentas ardentes.
Um dos primeiros propósitos da fundação da Bauhaus, em abril de 1919, foi a superação desse estigma histórico-corporativo pela educação do artista-artesão, alguém tão hábil com as mãos como enfronhado na concepção mais elevada da arte, um ser capaz de conceber um objeto qualquer, esteticamente relevante, e, ao mesmo tempo, hábil em executá-lo em conjunto com os demais colegas da construção.
Para levar tal concepção à prática, Walter Gropius, então jovem arquiteto promissor, transferindo-se de Berlim para Weimar, determinou a junção das duas escolas que lá existiam: a Escola de Artes e Ofícios e a Escola de Belas Artes: que vieram a formar a célebre Staatliches Bauhaus, ou simplesmente Escola da Bauhaus, instalada no edifício de Van der Velde.

Bauhaus de Weimar.

2. As Oficinas

Após o “Vorkurs”, o Curso Preliminar obrigatório, os alunos seguiam uma formação de artesãos nas oficinas da escola. Seguindo a concepção de unir a formação artística à formação prática, os trabalhos nas oficinas da Bauhaus, nos primeiros anos da escola, eram coordenados conjuntamente por um “Formmeister” (“mestre da forma”) e por um mestre artesão. A direção artística das oficinas era atribuída aos Formmeister assistidos pelos mestres artesãos.
Em 1919, os mestres foram artistas como Johannes Itten, Lyonel Feininger e Gerhard Marcks; em 1920, Georg Muche; em 1921, Paul Klee, Oskar Schlemmer; em 1922, Wassily Kandinsky.
As oficinas que a Bauhaus oferecia a seus alunos eram de tecelagem ( técnicas texteis), de metal (criação de objetos), de teatro e ballet, de carpintaria / marcenaria, de escultura e de tipografia e publicidade.
A denominação de oficina de publicidade a substituir o de tipografia já tinha sido utilizada sob a direção de Gropius, desde 1927. Com Meyer, associa-se a este atelier o Departamento de Fotografia e o objetivo básico era o de aumentarem os lucros da escola — através da publicidade dos trabalhos produzidos nas oficinas e das exposições.
Nesta oficina, as actividades vão centralizar-se essencialmente em exposições:
- Stand da Bauhaus na exposição da Werkbund
- Exposição Apartamento Popular da Bauhaus, Dessau.

Oficina de tecelagem.

3. Artistas e Professores

3.1 Wassily Kandinsky

Kandinky foi um artista russo, professor da Bauhaus e introdutor da abstração nas artes visuais.
Apesar da origem russa, adquiriu a nacionalidade francesa. Nascido em Moscou, passou grande parte da infância em Odessa. De volta à capital russa, estudou Direito e Economia na Universidade de Moscou, chegando a diplomar-se em Direito aos 26 anos, mas desistiu destas carreiras.
Casou-se em 1892 com a sua prima Anja Tchimikian, que acompanhou Kandinsky em 1896 quando este se mudou para Munique, iniciando os seus estudos em pintura na escola de Anton Ažbè. O estilo da escola de Ažbè desiludiu Kandinsky, que preferia pintar paisagens coloridas ao ar livre.
Após dois anos, Kandinsky tenta inscrever-se, sem sucesso, num curso ministrado por Franz von Stuck. Um ano depois Kandinsky ingressou finalmente no curso, que frequentou até 1900.

Wassily Kandinsky.

3.2 Johannes Itten

Itten foi pintor, docente e ensaista místico, associado à primeira fase da Bauhaus. Itten foi, ao lado de Gropius, a figura mais marcante da primeira fase.
Itten instituiu o Vorkurs, o ensino preliminar, no qual os alunos aprendiam de maneira totalmente nova, princípios e as técnicas mais elementares.
Em 1923 deixou a Escola por não concordar com a orientação que visava a cooperação com a Indústria, proposta por Gropius.
As suas aulas na Bauhaus eram iniciadas com exercícios de ginástica e respiratórios — segundo ele, isso descontraia e relaxava os estudantes, antes de iniciar a “direcção e ordem fluentes.”
Itten nasceu em 1888 em Suderen-Linden, na Suíça, foi professor de escola primária, e teve formação de pintor com Adolf Hoelzel, cujas didáticas de arte e teoria de composição influenciaram o seu trabalho.
Leccionou arte perto de Berna, transferindo–se para Viena para dirigir uma escola de arte. Nesta época foi apresentado a Gropius que o convidou para dar uma palestra sobre os Ensinamentos dos Mestres Antigos na Sessão inaugural da Bauhaus em 21 de Março de 1919, no Teatro Nacional de Weimar.
Em Outubro do mesmo ano, teve cadeira como docente da Bauhaus até Março de 1923 ,quando pediu demissão.

Johannes Itten.

3.3 Paul Klee

Quando assumiu suas atividades como professor na Bauhaus em Weimar, em Janeiro de 1921, o suíço Paul Klee já era um renomado pintor de vanguarda.
A escola pretendia, segundo a concepção do seu fundador Walter Gropius, formar uma geração de artistas-artesãos. No manifesto da Bauhaus, Gropius, que era um moderado simpatizante das idéias socialistas, escreveu que a escola iria “estabelecer uma corporação de artesãos sem a presunçosa divisão de classes, que tenta erigir um muro separando artesãos e artistas.”
Klee iniciou lecionando na oficina de tipografia. Depois, assumiu a chefia da oficina de vidro.
A sua atividade como professor na Bauhaus obrigou-o a desenvolver e formular claramente as suas idéias sobre aspectos teóricos da pintura e da arte.
Klee era um professor muito dedicado. Ele preparava suas aulas meticulosamente, até nos mínimos detalhes, como nenhum outro artista na Bauhaus fazia. A reação dos estudantes em relação ao professor Klee era muito variada.
As suas aulas constituíam um desafio intelectual de alto nível. Alguns dos seus alunos não se adaptavam ao seu modo. Muitos outros, entretanto, tiveram experiências valiosíssimas com Klee e aprenderam muito com ele.

Paul Klee.

3.4 Mies Van der Rohe

Nascido em Aachen, em 1886, foi o próprio Mies van der Rohe quem nos dá a chave para a compreensão de sua arquitetura ao comentar, num artigo publicado em 1961, a influência que as construções da sua cidade natal exerceu em sua obra.
Ludwig Mies (o sobrenome da mãe, van der Rohe, foi incluído por Mies mais tarde) freqüentou a escola da catedral católica construída por Carlos Magno e ajudou o pai na firma de cantaria que possuía. Passando sua infância e adolescência entre lápides e igrejas medievais, sua formação não foi acadêmica, mas de natureza prática e religiosa.

3.4 Mies Van der Rohe. Pavilhão alemão.

3.5 Marcel Breuer

Marcel Lajos Breuer foi um designer e arquitecto de origem húngara. Fez parte da primeira geração de alunos formados pela Bauhaus.
É de destacada importância o seu design de mobiliário. Os seus móveis de tubo de metal contribuíram para revolucionar o conceito do móvel.
Formou-se na primeira sede da Bauhaus (em Weimar) em 1924 e passou a lecionar nesta escola até 1928 (quando esta já estava instalada em Dessau).
Sua relação com a instituição era bastante estreita, o que acabou lhe rendendo a diretoria da instituição após a saída de Mies van der Rohe.
Enquanto docente da Bauhaus, realizou uma série de experimentações no design mobiliário. Foi aí que projetou e executou os primeiros protótipos da cadeira Wassily (cujo nome é uma homenagem ao colega Wassily Kandinsky).

Marcel Lajos Breuer.

3.6 Oskar Schlemmer
Pintor, começou a dar aulas na Bauhaus em 1920 como diretor da oficina de escultura, envolvendo-se também com a oficina de metal temporariamente; depois, assume a direção de arte teatral.

Oskar Schlemmer - Figura do Balet triádico.

4. Tipógrafos
Os mestres e tipógrafos da Bauhaus foram:

4.1 Jan Tschichold (1902-1974)
Nascido em Leipzig, Jan Tschichold praticou pintura de letras e caligrafia desde muito jovem. Tinha material suficiente e de primeira escolha; Leipzig, em Sachsen (Saxônia), era um dos grandes centros da tipografia alemã. (Ainda hoje se realiza aí uma importante feira do livro, a Leipziger Buchmesse).
O seu desejo era seguir Belas Artes e ser pintor-artista, mas os seus pais não apoiavam a perspectiva e orientaram Jan para um ofício mais seguro, tentando persuadi-lo a enveredar por uma carreira de professor de desenho.
Mas o jovem Jan Tschichold foi-se introduzindo no mundo da caligrafia e na arte de fazer livros. O seu livro de cabeceira era “Writing, Iluminating and Lettering”, obra do calígrafo e tipógrafo britânico Edward Johnston.
Passava longas horas no Museu da Imprensa de Leipzig, absorvendo avidamente todo o patrimônio histórico arquivado nesse edifício.
Em breve, Jan era perito em Buchgestaltung clássica. Mas, longe de ser um “rato de museu”, Jan orientava-se para a atualidade; a visita da Bugra (Feira do Livro e das Artes Gráficas de Leipzig) em 1914 foi uma das experiências que o moldaram – com a idade de 12 anos.
Os seus conhecimentos de francês e latim, adquiridos em Grimma, e a sua cultura humanista, serviram-lhe para se introduzir na tipografia clássica.
Passou pela Escola de Artes e Ofícios de Dresden, para logo regressar a Leipzig.
Dedicava inúmeras horas ao estudo dos livros da Biblioteca da Federação de Impressores de Leipzig, onde aprofundou o seu saber sobre tipografia clássica, especialmente Fournier, e começou a colecionar livros antigos.
Em 1921, com 19 anos, o diretor da Academia de Belas Artes de Leipzig, Walter Tiemann, propõe-lhe começar a dar classes de caligrafia neste estabelecimento.
Entre 1921 e 1925 desenhou cartazes caligráficos para várias das feiras comerciais que tinham lugar em Leipzig. Alguns dos seus trabalhos para a editora Insel Verlag foram selecionados para uma exposição internacional de caligrafia em Viena, em 1926 – evento em que se mostraram obras dos consagrados Eric Gill, Edward Johnston e Alfred Fairbank.
O seu interesse pelo desenho de tipos levou-o a fazer alguns esboços de letras para a empresa Poeschel und Trepte. A carreira profissional de Jan começara, mas o que despoletou o seu violento interesse pela tipografia de vanguarda – a “neue typographie” – foi a visita à exposição da Escola Estatal Bauhaus em Agosto de 1923.
Conheceu assim a primeira exposição da Bauhaus em Weimar e o soberbo catálogo que para o evento desenhou Herbert Bayer.

Cartaz de Jan Tschichold
"Plakate der Avantgarde. Ausstellung der Sammlung Jan Tschichold", 1930

Weimar foi o primeiro sítio onde J.T. teve a oportunidade de admirar arte moderna – e ver a tipografia tratada como meio de comunicação. Vivamente impressionado pela ruptura que os movimentos de vanguarda articulavam, deixou-se contagiar pelas mensagens vitais do movimento holandês De Stijl, do Suprematismo e do Construtivismo Russo.
A viragem radical operada na sua concepção tipográfica ficou em evidência num cartaz para a editora de Varsóvia Philobiblon, onde aplicou as idéias formais do Modernismo, como a composição assimétrica e os eixos inclinados.
Jan Tschichold começou a afastar- se da tipografia tradicional que havia estudado em Leipzig.
Em Munique, fez cartazes para o cinema Phoebus Palace, usando tipografia audaz, fotografias e cores planas, influenciado por El Lissitzky, Moholy-Nagy e Man Ray.

Cartaz de cinema de Jan Tschichold
"Die Frau ohne Namen. Zweiter Teil", 1927

Em 1928, J.T. revela as suas qualidades de comunicador publicando a sua famosa obra die neue typographie. Já em 1926, por recomendação de Paul Renner, Tschichold tinha ido para Munique ensinar na Escola dos Mestres de Artes Gráficas, onde deu aulas até ser expulso pelos nazistas em 1933.
“Tschichold, que nunca deu aulas na Bauhaus, foi o que melhor materializou as ideias da Bauhaus”, afirmou com razão Albert Kapr, mestre-tipógrafo da velha escola alemã. Leia o seu famoso artigo sobre a “elementare typographie”.
Para Tschichold, o importante da nova tipografia era adaptar-se à necessidade principal dos leitores: menos tempo disponível para absorver as informações.
Assim, professa a favor de uma tipografia em conformidade com o tempo em que vive, cujas características principais colocariam a mensagem numa situação de mínimo ruído, através da economia e precisão de elementos.

A maior parte dos impressos anteriores à nova tipografia trazia uma paginação centralizada, bordas decorativas e uma eclética mistura de diversos tipos.
A ausência de dinamismo do eixo central incomoda extremamente Tschichold, que o considera pretensioso e antiquado, por impor uma rigidez artificial aos layouts.
Em oposição a esta estética, ele propõe que a forma derive sempre da função do texto. Para atingir a disposição ideal, seria imprescindível incorporar a assimetria, valorizar os espaços brancos, explorar os contrastes e fazer uma utilização inteligente da cor.
Muitas vítimas da repressão nazista escolheram a Suíça como país de exílio, e entre elas, Tschichold. Ali foi influenciar de forma determinante a evolução da tipografia suíça.
Tschichold passou anos de sacrifícios até conseguir o direito de residência em Basel; contudo, preferiu viver na Suíça até à sua morte em 1974 – com a exceção de uma estadia em Londres, onde reformulou o design da série de livros de bolso Penguin Books.
No exílio em Basel, Tschichold reconsiderou os seus postulados de juventude, pareceu-lhe ter exagerado e ter sido dogmático, e decidiu voltar à tipografia tradicional e aos layouts de composição simétrica.
Com esta viragem de 180º regressou ao ponto por onde tinha começado a sua carreira. Vários colegas, entre eles um empoladamente polêmico e dogmático Max Bill, não lhe perdoaram este retorno às tradições – mesmo depois de Jan Tschichold ter apresentado trabalhos tão convincentes como a sua fonte renascentista Sabon
Um exemplo de publicação sobre Tschichold é um artigo de Richard B Doubleday, publicado na revista Baseline

A fonte Sabon é o resultado de um programa conjunto da Linotype, Stempel e Monotype, que queriam uma fonte que fosse disponível para composição manual, composição mecânica (linotipia) e fotocomposição.
O tipo deveria ter como ponto de partida os desenhos de Claude Garamond no século XVI.
Depois do ‘tiro de canhão’, que foi o pequeno caderno elementare typographie, Jan Tschichold publicou em 1928 o livro die neue typographie (a nova tipografia), o primeiro manual do desenho tipográfico moderno.
Die neue typographie foi o primeiro livro que Tschichold escreveu e compôs na totalidade; tornou-se o grande manifesto renovador das artes gráficas.
O livro é dirigido a tipógrafos, paginadores, impressores e publicitários, tornou-se em apenas um ano a obra de referência para orientar os profissionais sobre os princípios modernos da composição e da tipografia.
Publicada em 1928, die neue typographie é, possivelmente, a melhor obra sobre tipografia do século XX.
Pela primeira vez um livro relacionou o design tipográfico e editorial com as tendências artísticas, as necessidades técnicas e as mudanças sociais da época. Ao mesmo tempo, discute e sugere, com rigor, a normatização da Nova Tipografia na composição dos textos e na organização das páginas.
Publicou-se uma tradução americana da Neue Typographie de Jan Tschischold por Ruari McLean, que consegue ser muito fiel ao original alemão de 1928.
Recorreu-se a fontes, disposições de página, tipos de papel e de encadernação semelhantes, sendo a única concessão contemporânea a composição usando computador e a impressão com meios atuais.

4.1 Herbert Bayer (1900-1985)

Herbert Bayer nasceu na Áustria. Foi estudante da Bauhaus de 1921 até 1923, onde estudou sob a direção de Kandinsky e Moholy-Nagy.
Em 1925, Walter Gropius, na sua função de diretor da Bauhaus, convidou-o a dirigir a Oficina de Tipografia e Publicidade; assim, Bayer passou a integrar o corpo docente da Bauhaus.

Capa do Catálogo de produtos da Bauhaus, desenhada por Herbert Bayer.

Bayer pensou poder superar os limites impostos pelo vai-vem das modas; para tal, subordinou o seu desenho de letras a leis “intemporais” e “objetivas”.

Um dos seus lemas era: Os problemas de estilo e da expressão individual deviam retroceder face à “pureza da geometria” e às exigências da funcionalidade.
Assim orientado, Herbert Bayer apresentou em 1925 o protótipo de uma letra reduzida às formas geométricas mais elementares – linha, circunferência.
Bayer justificou a sua proposta: “a tipização dos elementos da letra, tendo por base o quadrado, a circunferência e o triângulo reduz o consumo de material tipográfico.”
Este método culminou numa tipografia cujas formas fossem tão elementares, que pudessem atingir uma validade “universal”.

‘‘No tipo “universal”, que Bayer apresentou em 1925 com o nome ‘sturm blond”, a redução foi extrema. A orientação que adotara – uso exclusivo de letras minúsculas, formas da geometria elementar, redução ao mais simples, universalidade – foi em breve seguido por outros artistas gráficos.

Jan Tschichold desenvolveu entre 1926 e 1929 outro alfabeto com o nome “universal”; também ele optou por eliminar as maiúsculas.

Na época da Bauhaus Herbert Bayer era um “radical de salão”, como era uso dizer-se. Era da opinião que a cultura era “artificial”, enquanto a ciência e o raciocínio seriam “puros”.
Em conseqüência, deduzia que as formas de letras simples e geométricas iriam ter um efeito benéfico na sociedade – porque assim, a sociedade não teria que se induzir em ilusões e não teria que usar estilizações aristocráticas e elitistas.

Estudo para uma fonte, 1932.

Os protagonistas da universal typographie pensavam que os novos sistemas de glifos deviam ser “nus” – nus como uma máquina, livre de embelezamentos, livre de qualquer ideologia da cultura. Apesar de Herbert Bayer advogar essa linguagem visual “nua”, também se mostrou apto a trabalhar de forma mais refinada.

“Nua e crua”: Digitalização da sturmblond de Bayer, de Paulo Heitlinger.

Em 1928, Bayer deixou a Bauhaus para seguir uma carreira de designer freelance.
Desmobilizou o seu rigor e purismo, para poder vender o seu trabalho.
Em 1933, a Fundição Berthold encomendou-lhe uma tipografia para uso comercial.
Para esta encomenda, Bayer apresentou a sua sturm blond, mas numa variante já “vestida”, ou seja: com serifas, e bastante condensada.
Houve poucos clientes do exterior interessados no design moderno e na tipografia feitos na escola Bauhaus. O sucesso comercial das idéias e dos protótipos da Bauhaus – se é que houve um tal sucesso – só começou a esboçar-se no fim dos anos 20.
Esta aceitação aumentou nos primeiros anos da década de 30 – para ser brutalmente interrompida pela barbárie nazista. Uma exceção foi a revista die neue linie.

Herbert Bayer foi diretor artístico da revista feminina Harper’s Bazaar no final da década de 1920-1930.

Trabalhou também para a revista Fortune, nos EUA, realizando excelentes ilustrações e infográficas.
Bayer trabalhou com Walter Gropius em Berlin, onde tinha o seu atelier após ter saído de Dessau.
Josef Albers, outro docente da Bauhaus, emigrou para os E.U.A. já em 1933; Herbert Bayer chegou a Nova Iorque em 1938, para finalizar os preparativos da exposição Bauhaus 1919-1928.
Bayer desenhou a exposição no MOMA a e realizou o catálogo. Este evento lançou as bases da energia vanguardista que impulsionou o design norte-americano a partir dos anos 40.
Nos EUA foi consultor da empresa J. Walter Thompson e da Dorland International. A partir de 1946 esteve ativo como professor no Aspen Institute Colorado.
Herbert Bayer, depois de trabalhar ainda longos 30 anos como artista plástico e gráfico nos EUA, fez o legado da sua obra ao Denver Art Museum.

Herbert Bayer, 50 jahre Bauhaus, Austellung, 1968

Carolina Shuvartz Pasquali - Bach. Design Gráfico

sábado, 11 de julho de 2009

A ESCOLA BAUHAUS E O DESIGN DE INTERIORES



A Escola Bauhaus surgiu em meio a um período conturbado da história da humanidade. Na Europa vivia-se a Revolução Industrial, que trazia consigo inúmeras conseqüências devastadoras, tanto nas condições de vida das pessoas, com a criação de grandes centros urbanos e reestruturações sociais, quanto nos produtos manufaturados e racionalizados.
Desde 1850 os ingleses já vinham tentando modificar os conceitos de formação dos artesãos e as escolas de arte. Dessa maneira, além da área industrial, a Inglaterra garantia o primeiro lugar também na área artesanal. Com esse conhecimento industrial mundial, era natural que os países vizinhos, inclusive a Alemanha, almejassem alcançar o mesmo poderio que tinha a indústria têxtil inglesa.
Em 1896 o governo alemão mandou um homem, Hermann Muthesius, como um espião de gostos, para uma missão de seis anos na Inglaterra, com o objetivo de estudar as razões do grande sucesso inglês. Após esse período de espionagem, Muthesius voltou à Alemanha com novidades e recomendações. Aconselhou a criação de oficinas de artes e ofícios para a contratação de diversos artistas modernos para dar aulas.
Nos anos seguintes, o modelo inglês foi copiado e por toda a Alemanha havia a criação de pequenas oficinas privadas que fabricavam utensílios domésticos mobiliários, artefatos têxteis e objetos de metal.
Em 1907, Hermann Muthesius fundou a Deutscher Werbund (associação de Artes e Ofícios – DWB), que se tornou a associação artística e econômica mais importante e de maior sucesso antes da Primeira Guerra Mundial. Em 1912 Walter Adolf Gropius também entrou para a associação Werkbund.
Em 1919, o governo alemão aprovou o pedido de Gropius para dirigir as duas escolas preexistentes em Weimar (a Escola Superior de Belas-Artes e a Escola de Artes e Ofícios), sob um único nome. Foi dessa fusão que se originou a Bauhaus (que significa Casa Estatal de Construção). A sede era em um edifício construído em 1905 por Henry Van de Velde.
"Criemos uma nova guilda de artesãos, sem as distinções de classe que erguem uma barreira de arrogância entre o artista e o artesão", declara o arquiteto germânico Walter Adolf Gropius quando inaugura a Bauhaus. A nova escola de artes aplicadas e arquitetura traz na origem um traço destacado de seu perfil: a tentativa de articulação entre arte e artesanato.




Gropius tinha fé na teoria da “obra de arte total” na qual o design se torna a síntese de todas as artes e ofícios, sob a égide da arquitetura. Tinha-se a concepção quase religiosa do design como uma força redentora por si mesma; um elemento de estímulo radical no contexto de uma nação moral e economicamente derrotada pela Primeira Guerra Mundial. O design, afirmava Gropius, poderia reestruturar uma sociedade alemã melhor, mais coesa e, afinal, democrática.



A Bauhaus foi a mais importante escola de desenho industrial, arte e arquitetura do século XX. O design constituiu importante área moderna do conhecimento e da aplicação tecnológica do homem, a qual teve um desenvolvimento cultural e educacional muito significativo nessa escola, que tinha como lema “a construção do futuro”. Esse lema tentava combinar todas as artes num só ideal, exigindo um novo tipo de artista entre as especializações acadêmicas, para o qual a Bauhaus iria oferecer uma educação adequada.



Para alcançar esse marco, Gropius viu a necessidade de desenvolver novos métodos de ensinamentos e concluiu que as bases para as várias artes ainda deveriam ser achadas. A escola tinha basicamente três objetivos, que não se alteraram ao longo de seu período de existência, mesmo quando a direção da escola mudava significante e rapidamente. O primeiro deles era tirar cada uma das artes do isolamento em que se encontrava a fim de motivar os artesãos a trabalharem em cooperativa, combinando todas as suas habilidade e técnicas. O segundo era elevar o status das peças artesanais (cadeiras, candeeiros, bules de chá, talheres etc.) ao mesmo nível das belas-artes, como a pintura, a escultura etc. E o terceiro objetivo era manter contato com as indústrias, numa tentativa de conseguir a independência do governo por intermédio da venda dos seus projetos.



A escola possuía alguns ateliers ligados ao design de mobiliário e de acessórios. Dentre eles destacam-se: Atelier de Tecelagem - Este foi constituído genericamente pelas alunas da Bauhaus, dada a impossibilidade ou dificuldade de seguimento nos outros ateliers. Inicialmente preparada para ser uma das muitas técnicas têxteis a aprender, a tecelagem só foi aprendida à custa da experimentação, ou como formação especializada adquirida fora da Bauhaus. Neste atelier reflete-se o ensino dos cursos preliminares lecionados por Kandinsky e Moholy-Nagy.



Atelier de Metal - O atelier de metal esteve sob a direção artística de Itten até 1922 e produziu sobretudo artigos quotidianos com formas geométricas básicas, apresentando um modelado orgânico com influências de Jugendstil. Em 1923, Moholy-Nagy substitui Itten quando esta apresenta a sua demissão, alterando rapidamente a metodologia anterior. Moholy-Nagy apoiava o uso de novos materiais como o vidro ou plexiglass que comprava à indústria, encorajava os estudantes a produzirem combinações de metais originais e a utilizarem os pouco comuns.



Atelier de Mobiliário ou Carpintaria - Em 1921, este atelier surge na escola, com o seu diretor a chefiá-lo no papel de mestre de forma. Gropius já tinha desenhado mobiliário para os seus projetos de arquitectura. Neste atelier é de assinalar que cedo se sentiu a necessidade premente de que os seus produtos fossem estandardizados. Assim, numa fase de construtiva da escola e ainda sentindo as influencias dos movimentos artísticos contemporâneos, surgem os produtos de Marcel Breuer.



A Bauhaus combatia a arte pela arte, estimulava a livre criação com a finalidade de ressaltar a personalidade do homem e unia a arte à tecnologia para atender às demandas da sociedade industrial e da produção em massa, ao contrário do que era feito antes da criação da escola: reprodução das artes clássicas. A filosofia da escola ficou tão impregnada nos alunos que não tardou muito para o estilo de seus produtos funcionais, econômicos e sem ornamentos inúteis inspirar protótipos que saíam de suas oficinas para a execução em série na indústria.



Ao iniciar a Bauhaus, Gropius apoiou-se principalmente em três mestres: o pintor americano Lyonel Feininger, o escultor e gravador alemão Gerhard Maecks e o pintor suíço Johannes Itten. Depois, juntaram-se a eles alguns artistas como Oskar Schlemmer, o suíço Paul Klee, o russo Wassili Kandinski, László Moholy-Nagy e Ludwig Mies Van der Rohe.



Os alunos eram encorajados a se libertarem dos preconceitos em relação ao belo, e estimulados a buscar novas soluções do design. A meta era formar designers que tivessem conhecimento exato do material e dos processos de trabalho estivessem em condições de influir na produção industrial da época, e isso se tornou recíproco, pois a qualidade técnica e artística foi reconhecida igualmente pelo produtor e consumidor. O aluno “aprendia, fazendo”.



Simultaneamente às práticas de oficina, o aluno estudava geometria, desenho, teoria das cores, composição e materiais. Ensinava-se a determinar a forma do objeto primeiramente pela sua função e, em seguida, pelas conveniências da produção mecânica. Percebe-se nesse momento uma relação com o atual conceito de ergonomia, ou seja: a preocupação em evitar e resolver problemas causados pela tecnologia da vida moderna para o ser humano. Isso significa o desenvolvimento de objetos e construções projetados expressivamente para a produção industrial. O objetivo seria eliminar as desvantagens da máquina, sem prejudicar nenhuma de suas vantagens reais. Procurava-se criar padrões de qualidade e não apenas e não apenas novidades momentâneas ou transitórias. Na verdade, os objetos eram desprovidos de detalhes e valorizados por sua configuração geométrica geral. O desenho era racional, com paleta de cores que prioriza o azul, o vermelho e o amarelo, o geométrico e o assimétrico substituindo o ornamento. No mobiliário, isso se materializa nas linhas puras da cadeira Wassily, de 1925: o desenho está a serviço do conforto, o aspecto do móvel é de leveza.

A ligação mais efetiva entre arte e indústria coincide com a mudança da escola para Dessau, em 1925. No complexo de edifícios projetados por Gropius são delineadas as abordagens características da Bauhaus: as pesquisas formais e as tendências construtivistas realizadas com o máximo de economia na utilização do solo e na construção; a atenção às características específicas dos diferentes materiais como madeira, vidro, metal e outros; a idéia de que a forma artística deriva de um método, ou problema, previamente definido o que leva à correspondência entre forma e função; e o recurso das novas tecnologias. Data desse período o desenvolvimento de uma série de objetos - mobiliário, tapeçaria, luminária etc. -, produzidos em larga escala, como as cadeiras e mesas de aço tubular criadas por Marcel Breuer (1902 - 1981) e Ludwig Mies van der Rohe (1886 - 1969) e produzidas pela Standard Möbel de Berlim e pela Thonet.



O ano de 1928 marca a saída de Gropius da direção e sua substituição pelo arquiteto suíço Hannes Meyer, o que sinaliza uma ênfase mais social em relação ao design, traduzida na criação de um mobiliário de madeira - mais barato, simples e desmontável - e de grande variedade de papéis de parede. Diante das pressões do nazismo sobre Meyer, em 1930 a escola passa a ser dirigida pelo arquiteto Mies van der Rohe.



Em 1932, os nazistas tomaram o poder em Dessau, forçando a escola a mudar-se de Berlim, para uma fábrica de telefones abandonada, sob o nome de Instituto Superior de Pesquisa Técnica. Porém, seis meses mais tarde, em julho de 1933, a Gestapo ocupou a escola e obrigou seu fechamento definitivo. Os nazistas alegavam que a Bauhaus estimulava as características não-germânicas.



Hoje em dia, a Bauhaus alemã continua a abrir janelas por toda a Europa e no Novo Mundo. Embora nos 14 anos a escola tenha se desdobrado de uma doutrina fortemente influenciada pelo expressionismo tardo-romântico para o racionalismo radical, a Bauhaus representou historicamente o início da consolidação dos princípios funcionalistas do design gráfico enquanto disciplina, por intermédio de sua ação pedagógica.



Desde que a escola tentou combinar a arte com a engenharia e o artesanato, a inovação fluiu através da Bauhaus numa mistura de múltiplos avanços, afetando os mais básicos aspectos da vida. Os efeitos da Bauhaus encontram-se em quase tudo a nossa volta: na mobília, na arquitetura, no teatro e nos projetos até mesmo dos arranha-céus. A escola trabalhou também com candeeiros, cadeiras e outros objetos manufaturados.



A mudança que o design vem sofrendo atualmente com o crescente desenvolvimento tecnológico é semelhante ao tipo de transformação que ele sofreu no período da Escola de Bauhaus. A crescente industrialização gera conseqüências devastadoras nas condições de vida das pessoas e nos produtos manufaturados dos artífices e dos operários, havendo o risco de a evolução transformar a globalização em uma forma de acelerar a destruição do próprio homem, no aspecto ecológico ou mesmo sociocultural. Na época não houve preocupação com os efeitos catastróficos que a indústria poluente causa ao meio ambiente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MACHADO, O.G.,DELMONEGO,L.C. A importância da escola Bauhaus na formação do designer. Revista Univille, dezembro de 2004, v. 9, n. 2.
CARMEL-ARTHUR,Judith, Bauhaus. São Paulo: Cosac & Naify Edições, 2001.
WOLFE, Tom, Da Bauhaus ao nosso caos. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1991.
< http://bauhaus.raprod.com.br/bauhaus.html>. Acesso em: 22 jun 2009, 20:30.
. Acesso em: 22 jun 2009, 22:10.


Alice Gomes
Camila V.D.L.
Ludmila Nunes
Raquel Rocha - Design de Interiores

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Bauhaus e seu legado: 90 anos

Impacto e Ressonância

Mais do que uma escola revolucionária no ensino do Design, Arte e Arquitetura, a Bauhaus foi um movimento de transformações, nestes dois últimos, que marcou o século XX. Fundada na Alemanha em 1919 sob a direção do Arquiteto Walter Gropius – que incluía também em seu corpo docente artistas de vanguarda como Wassili Kandinski e o arquiteto Mies Van der Rohe - ela foi responsável por fixar diretrizes estéticas que se difundiram em outros países do Ocidente. A harmonia entre 'forma' e 'função', sem detalhes decorativos supérfluos – na Arquitetura e nos objetos da vida cotidiana – era um princípio da nova era funcionalista.

Interior da Bauhaus em Dessau.

"A arquitetura é a meta de toda a atividade criadora", são palavras de Walter Gropius, no primeiro manifesto redigido em 1919. A Bauhaus tinha uma proposta clara e inovadora de integração entre Arte e Sociedade, a criação de uma estética humanista do mundo moderno, com uma vontade mais ampla de adequar a sociedade à realidade tecnológica do século, dominado pela Revolução Industrial; enfim, ordenar o espaço moderno de convivência.
A Bauhaus abriu o campo para o Desenho Industrial – móveis, luminárias, pesquisas de tecido, artes gráficas. Definiu um estilo para seus produtos – ausentes de qualquer ornamento, que levassem em conta o lado prático e econômico –, cujos protótipos saíam de suas oficinas para a execução em série na indústria. Os objetos produzidos pela indústria deveriam ser um misto de Engenharia e Arte, beleza e funcionalidade, dentro do compromisso Arte / Sociedade de convocar a participação do trabalho do artista para construir uma alternativa racional, a fim de humanizar o novo ambiente comprometido com a 'máquina'. Um sonho logo absorvido pela sociedade capitalista e transformado em dispositivo de acionar a competição e o consumo.
Após Hitler fechar as suas portas, grande parte dos professores e alunos já havia partido para outros países, divulgando suas idéias, até chegarem à América, como os arquitetos Walter Gropius – que lecionou em Harvard – e Mies Van der Rohe, um dos principais arquitetos da remodelação de Chicago. O ensino inovador da escola já havia se difundido nos principais centros de Arte. A Bauhaus exerceu uma influência extraordinária sobre a Arquitetura do século XX, no mundo ocidental; um estilo marcante pelas linhas retas dos prédios, ambientes claros, espaços bem aproveitados e pela ausência de adornos. Estilo que chegou também ao Brasil através de ex-alunos da antiga escola, hoje esquecidos, como o alemão Alexandre Altberg e o belga Alexandre Buddeus.

As três casas modernas de Altberg, à Rua Paul Redfern, em Ipanema: à época de sua construção, em 1932, e hoje, muito modificadas.

No Brasil, a Arquitetura Moderna foi importada e adaptada através da versão francesa, principalmente com a vinda do arquiteto Le Corbusier, a convite do ministro Gustavo Capanema, na segunda metade da década de 1930, para realizar estudos para o projeto do Ministério de Educação e Cultura (MEC), projeto este que foi desenvolvido por uma equipe de jovens arquitetos brasileiros, como Oscar Niemeyer, Lúcio Costa e Affonso Eduardo Reidy, obedecendo ao traçado do mestre. Porém, na primeira fase do Modernismo, foram os alemães que influenciaram a arquitetura brasileira, pioneiros no uso do concreto armado, bastante difundido e utilizado na nossa arquitetura.
Na Bahia, a Arquitetura Moderna – também nesse primeiro momento do Modernismo –, apareceu sobre influência alemã. Destaca-se o Instituto de Cacau da Bahia, localizado no Centro comercial de Salvador, como um dos poucos exemplos, no Brasil, de uma arquitetura influenciada pelos princípios da Bauhaus. Projeto do arquiteto belga, e ex-aluno da referida instituição, Alexander Buddeus. Uma arquitetura com um toque expressionista, como podemos observar em alguns projetos do mestre Gropius.

O Instituto do Cacau, na Bahia (1932-36), com seus cantos arredondados e basculantes fixos; arquiteto Alexander Buddeus.

Seu grande impacto na arquitetura é percebido com maior vigor na Europa, Estados Unidos, Canadá e Israel (particularmente na Cidade Branca, em Tel-Aviv), segundo levatamento e pesquisa de historiadores, de 1933 até o ano de 2004, havia-se construído cerca de 4000 edifícios, contando projetos de alunos da Bauhaus, pupilos e outras academias seguidoras das idéias da Bauhaus.
Com o design funcionalista defendido pelos diretores da instituição, tivemos uma das mais importantes contribuições que a Bauhaus produziu pelas mãos de seus alunos, que através do domínio de elementos e materiais diversos como metais, madeira, couro, espumas e tecidos, estes serviram de base para desenvolvimento de projetos de mobiliário moderno. Objetos, poltronas, sofás e cadeiras, até hoje são largamente utilizados no design de interiores de todo o mundo, como por exemplo a cadeira barcelona de Mies Van der Rohe, e tantas outras, umas repaginadas, reeditadas, ou simplesmente replicadas como originais.

Interior de hotel com cadeiras e bancos barcelona, projetados por Mies Van der Rohe.

Atualmente a Bauhaus de Weimar mantém a sua liderança como uma das melhores universidades na Alemanha, lecionando sobretudo o ramo da arquitectura, mas estando também integrada num núcleo de outros pólos de ensino ligado às artes e de onde se destaca design, música, entre outros. O ensino da Bauhaus encontra-se intrínseco na própria forma de leccionar da escola actualmente, baseando-se muito na experimentação prática de ideias e na realização de seminários e workshops para confronto de conhecimentos. O edifício inicial projetado por Walter Gropius sofrera inúmeras modificações após a Segunda Guerra. Em 1994 iniciou-se um processo de reforma visando restabelecer ao edifício sua condição original. O empreendimento foi promovido pela Fundação Bauhaus e coordenado pela arquiteta Monika Markgraf. Devido a inexistência do projeto original o trabalho foi árduo e concluído somente em 2007.


Ariela Vieira
Gabriela Vieira
Roberto Scot
Tarsila Araújo - Design de Interiores

quarta-feira, 8 de julho de 2009

ARTISTAS DA BAUHAUS

JOHANNES ITTEN (1888-1967)

Nas suas pesquisas, Itten desenvolveu o disco de cores, que ainda hoje permite descobrir combinações harmoniosas de cores (os seis contrastes de cor).

Johannes Itten foi pintor, docente e ensaista místico, associado à primeira fase da Bauhaus. Itten foi, ao lado de Gropius, a figura mais marcante da primeira fase.
Nascido em 1888 na Suíça, Itten foi professor de escola primária e teve sua formação de pintor com Adolf Hoelzel.
Foi lecionar em Bauhaus em 1919 e pediu demissão em 1923, por não concordar com a proposta de Gropius que era a cooperação com a indústria.
Desenvolveu um sistema de ensino baseado no estímulo da criatividade individual, para isso Itten iniciava suas aulas com exercícios de ginástica e respiratórios.
Na Bauhaus desenvolveu um Curso preliminar — Vorkus.

OSCAR SCHLEMMER (1888-1944)

Oscar Schlemmer Projeto de figurinos para o Balet Triádico.

Pintor começou a dar aulas na Bauhaus em 1920 como diretor da oficina de escultura e também de metal, assume a direção de arte teatral.
O homem», 1928
Schlemmer apresenta o programa da disciplina «O homem», ministrada por ele na Bauhaus: «Matéria de ensino: o homem.
A medida do ser humano, relacionada com a medida do meio ambiente, serve de introdução à instalação do modus vivendi.” (Oskar Schlemmer, diário 03.11.1928)
“A receita pela qual se norteia o teatro da bauhaus, é muito simples: que a gente seja tão descomprometido quanto possível; que a gente se aproxime das coisas como se o mundo tivesse acabado de ser criado; que a gente não reflita determinada coisa até a destruição e sim que a gente conserve, livre, permitindo seu desdobramento. Que a gente seja simples, mas não pobre (“a simplicidade é uma grande palavra”), que a gente prefira ser primitivo a ser vaidoso, complicado e inchado; que a gente não seja sentimental, mas que a gente em vez de sê-lo, tenha espírito. Com isto está dito tudo como não está dito nada! Mais: que a gente parta do elementar. E o que quer dizer isto? Que a gente parta do plano, da linha, da superfície simples, e que a gente parta da simples composição de superfícies: a partir do corpo. Que a gente parta das cores simples como são: branco, cinza, vermelho, azul, amarelo e preto. Que a gente parta do material, descubra as diferenças de tecido dos materiais como vidro, metal, madeira, e assim por diante, assimilando-o interiormente. Que a gente parta do espaço, da sua lei e do seu segredo, deixando-se “enfeitiçar” por ele. Com isto, novamente, está dito muito e não é dito nada, até o momento em que estes conceitos tenham sido sentidos e preenchidos. Que a gente parta da situação do corpo, do ser, do estar em pé, do caminhar e somente no fim do saltar e do dançar. Porque o dar um passo representa um importante acontecimento: e nada menos do que isto, levantar uma mão, mexer um dedo. Que a gente tenha tanto respeito quanto consideração diante de cada ação do corpo humano, de vez que no palco se manifesta este mundo especial da vida, do aparecer, esta segunda realidade, na qual tudo está circundado pelo brilho do mágico”. (Oskar Schlemmer, diário, maio de 1929)
“O teatro que deve ser a imagem do nosso tempo e talvez a forma de arte mas peculiarmente condicionada por ele, não pode ignorar os sígnos [abstração, mecanização e “as novas potencialidades da tecnologia e invenção que podemos usar juntas para criar novas hipóteses e que assim podem engendrar, ou ao menos prometer, ousadas fantasias”]”

o balet triádico

Oscar Schlemmer, figura do balet triádico.

O balé deve ser entendido como uma dança da tríade, a troca do um, com o dois, com o três. Mais além, a tríade é: forma, cor, espaço; as três dimensões do espaço: altura, profundidade e largura. As formas fundamentais: esfera, cubo e pirâmide; as cores fundamentais: vermelho, azul e amarelo. A tríade de dança, traje e música.” (diário, 5 de julho de 1926)

LYONEL FEININGER (1871 – 1956)
Cubismo / Expressionismo

Lyonel Feininger, "a catedral", xilogravura que ilustrou o 1º manifesto da Bauhaus.

Depois de estudar arte em Hamburgo, Berlim e Paris e de sua atividade como caricaturista, Feininger desenvolveu a partir de 1912 estilo próprio, à base de paisagens e composições arquitetônicas inspiradas pelo cubismo. Influenciado pelo expressionismo, em suas primeiras pinturas tentou reduzir as formas a corpos articulados prismaticamente, utilizando para isso uma coloração matizada e quase transparente, a qual confere a muitas de suas obras um caráter excêntrico e onírico. Seus motivos preferidos foram os edifícios medievais, como se pode ver em Igreja do Mercado de Halles (1930), e as marinas, nas quais costumam aparecer barcos a vela. Entre 1919 e 1932 foi professor e artista da Bauhaus, cujo primeiro manifesto de 1919 ilustrou com uma gravura em madeira intitulada A Catedral. Proibido pelos nazistas como artista degenerado, em 1937 voltou a seu país de origem, os Estados Unidos.

PAUL KLEE (1879-1940)

Paul Klee, Senécio,óleo sobre tela

Paul Klee nasceu em 18 de dezembro de 1879 em Münchenbuchsee, perto de Berna, na Suíça.
Os primeiros passos em direção ao movimento que mais tarde ficaria conhecido como Expressionismo foram dados nesta época. É notável que as paisagens de Klee mudaram, perdendo sua objetividade e tornando-se mais monumentais e românticas.
Em resumo, Klee, nesta época, estava em contato com a maioria dos artistas experimentais da Europa Ocidental, muitos dos quais profundamente interessados na questão da cor. Esta preocupação foi fomentada em uma curta viagem à Tunísia em 1914. Cores brilhantes e luz forte cristalizavam as idéias de Klee sobre cor e tonalidades.
Depois, a vida foi interrompida pela Primeira Guerra Mundial, durante a qual Klee serviu como oficial. Embora tenha produzido alguns trabalhos durante a guerra, ele não começou a pintar seriamente até 1918. Nesta época já estava ficando bem conhecido. Em 1919 assinou um contrato com Goltz, o comerciante de arte que atuou como patrono de uma grande exposição dos trabalhos de Klee em 1920.
Em 25 de novembro de 1920, o arquiteto Walter Gropius convidou-o para juntar-se ao grupo Bauhaus. Então, em 1921, Klee mudou-se de Munique para Weimar para assumir seu papel de mestre de forma na oficina de artefatos de vidro. Na década seguinte, Klee lecionaria nos institutos de Weimar e Dessou Bauhaus.
Em 1931, o pintor deixou a Bauhaus e foi nomeado para a Düsseldorf Academy. A Bauhaus, nesta época, foi forçada pelos nazistas a deixar Dessau e a se estabelecer em Berlim. Em 1932, Klee foi violentamente atacado pelos nazistas e, próximo ao Natal daquele ano, retornou a Berna, onde desenvolveu sua fase artística derradeira, baseada em um desejo pro simplicidade. Agora ele também se encontrava perto da pobreza, pois seus recursos financeiros na Alemanha haviam sido confiscados.
Em 1935, ele desenvolveu os primeiros sintomas de câncer de pele. Por algum tempo sofreu de depressão, resultante de sua doença, mas, em 1937, retornou o trabalho com ímpeto e energia fenomenais. Enquanto isso, na Alemanha, alguns de seus trabalhos foram expostos em uma "exibição de arte degenerada", e mais adiante 102 deles seriam confiscados de coleções públicas.
Em 10 de maio de 1940, Klee foi acolhido por um sanatório perto de Locarno e, menos de um mês depois, transferido para a clínica Sant'Agnese. Morreu em 28 de junho do mesmo ano.
Klee experimentou a mistura de meios artístcos, usando aquarela e pintura a óleo ou tinta, cola e verniz, por exemplo. No entanto, nem sempre é possível especificar o meio utilizado em alguns trabalhos.

WASSILY KANDINSKY(1866-1944)

Wassily Kandinsky, Composição,óleo sobre tela

Kandinsky nasceu em 1866 em Moscovo. Licenciado em Direito. Em 1896 dedica-se a pintura, a partir daí expõe em diversas exposições. Tem aulas livres de pinturas em Bauhaus.
O pioneiro do abstracionismo nas Artes Plásticas.
O artista começou a estudar pintura em Munique - nesta época considerada como um centro artístico.
Na etapa ainda figurativa do artista, a tela "O Cavaleiro Azul (1903)" reproduz um personagem dos contos de fadas, imagem muito comum na infância de Kandinsky, simbolizando o combate entre o bem e o mal, luta e transformação. Este tema se repete nesta fase do pintor. Em 1908, retorna a Munique, onde edita o ensaio "Do Espiritual na Arte", em 1911, no qual apresenta a arte como expressão de um imperativo interior. Nesta década, o pintor realiza os primeiros trabalhos não figurativos, tornando-se assim o primeiro artista no Ocidente a criar uma pintura abstrata. Ele libera as artes plásticas das cadeias convencionais a que elas se prendiam. Com sua atitude inovadora, influencia profundamente não só esta esfera, mas vários outros setores artísticos.
Em 1912, a famosa tela acima citada dá nome a um almanaque – Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul) – e ao primeiro grupo expressionista, de teor lírico, comparado ao caminho mais dramático do grupo Die Brücke, também expressionista. Durante a Primeira Guerra, o artista refugia-se na Rússia, até 1921. Assim, é testemunha da Revolução Socialista, e como membro integrante do Comissariado para a Cultura Popular inaugura vários museus e reconstitui a Academia de Belas Artes de Moscou. A partir de 1922, Kandinsky se torna professor da Bauhaus. Porém, em 1933, esta é fechada pelos nazistas e os trabalhos do pintor são apreendidos em 1937.

"Em muitos aspectos a arte é semelhante à religião"
Kandinsky


Gunta Stölzl (1897 - 1983)

Gunta Stölzl, tapeçaria

Foi estudante da Bauhaus de Weimar. Trabalhou com Paul Klee e freqüentou aulas de Johannes Itten. Estudou também na oficina de tecelagem onde produziu assento e encosto de tecido para uma cadeira desenhada por Marcel Breuer e desenhou têxteis para Sommerfeld House, de Walter Gropius. Estabeleceu as oficinas de tecelagem Ontos, em Herrliberg, perto de Zurique, que dirigiu por nove anos. Em 1925 retornou a Bauhaus e tornou-se mestre na oficina de tecelagem, que dirigiu a partir de 1927. Abandonou a Bauhaus em 1931 e com seus antigos alunos fundou S-P-H-Stoffe em Zurique. O estúdio e a oficina de tecelagem produziram carpetes e tecidos para estofos para a Wohnbedarf e outras companhias. A partir de 1937 dirigiu sozinha as oficinas e em 1939 expôs na Swiss National Exhibitio. Nos anos 50 produziu tapeçarias de Gobelin e em 1967 encerrou o estúdio.

László Moholy-Nagy (1895 - 1946)

László Moholy-Nagy, escultura

Foi um designer, fotógrafo, pintor e professor de design pioneiro, conhecido especialmente por ter lecionado na escola Bauhaus. Ele foi muito influenciado pelo Construtivismo Russo e um defensor da integração entre tecnologia e indústria no design e nas artes. Nagy aplicava a técnica de colagem de negativos e uso de instrumentos que interferem artisticamente na impressão das fotos. Em 1937, a convite de Walter Paepcke, Moholy-Nagy mudou-se para Chicago para tornar-se o diretor da New Bauhaus. Mas a escola perdeu se apoio financeiro e fechou no ano seguinte. Mas Paepcke manteve seu apoio e em 1939, Moholy-Nagy fundou a School of Design. Em 1944, ela tornou-se o Institute of Design. Moholy-Nagy relata seu esforço para desenvolver o currículo da School of Design em seu livro Vision in Motion. Moholy-Nagy morreu de leucemia em Chicago em 1946.

Walter Peterhans (1897-1960)

Walter Peterhans, fotografia

Estudou fotografia de 1925 a 1926 na Staatliche Akademie für Graphiche Künster
und Buchgewerbe, em Leipzig. Em 1929 foi nomeado chefe do departamento de fotografia recentemente introduzido na Bauhaus. Peterhans preocupava-se principalmente em ensinar aos seus estudantes os princípios da fotografia tecnicamente perfeitas. Inúmeros fotógrafos já qualificados vieram ter com ele para receberem uma formação suplementar. Na sua auto-análise como fotógrafo, Peterhans era radicalmente oposto às experiências de Moholy-Nagy e rejeitou o conceito de fotografia produtiva e de "design" de luz. "A técnica da fotografia é um processo de pormenores precisos em meios tons", escreveu Peterhans."

Anni Albers (1899-1994)

Anni Albers, projeto de tapeçaria

Anni Albers nasce em 12 de junho de 1899, em Berlim na Alemanha. De 1916 a 1919 teve aulas particulares de pintura com Martin Brandenburg. Em abril de 1922 entra para a escola de Bauhaus e se especializou-se em design textil. Em 1925 Josef e Anni se casam em 9 de maio e se mudam para Dessau com a Bauhaus. Anni teve vários de suas peças publicadas e recebeu vários contratos pelas tapeçaria de parede. Depois que Gropius deixou Dessau em 1928, o casal Albers começaram suas longas viagem por Itália e Espanha e outros países.
Lecionaram em Black Mountain College, na Carolina do Norte nos anos de 1933 até 1949.
Depois de deixar a Black Moutain College, Anni Albers trabalhou como designer textil indepentende. Desenhou conjuntos geométricos abstratos que valorizavam as qualidade da textura dos materiasis para a Knoll International desde 1959 e para Sunar desde 1978. Em 1961 ganhou a medalha de ouro para o artesanato do American Institute of Architects.

Gerhard Marcks (1889-1981)

Gerhard Marcks, escultura

Nasceu em Berlim no ano de 1889. Foi autodidata no estudo de escultura e de 1908 a 1912 trabalhou no atelier do escultor Richard Scheibe em Berlim. Em 1918 juntou-se à associação radical de arte Novembergruppe.Lecionou na Bauhaus em Weimar. E em 1920 Gropius deisngou-o para ser o diretor artístico da nova oficina de cerâmica da Bauhaus em Dornjburg, cerca de 30km de Weimar. Marcks manteve-se neste cargo ate 1924 e suas cerâmicas deste período eram relativamente ornamentais.Em 1925 tornou-se diretor do atelier de escultura no Kunstgewerbeschule Halle/Burg Giebichenstein e em 1928 foi nomeado diretor da escola onde esteve ate 1933.Em 1933 foi demitido do seu cargo em Halle pelos nazis e foi para NMiehagen. A partir de 1937 tentou trabalhar como freelancer em Berlim, mas foi banido da exposição. Marcks sofreu mais perseguições quando seu estudo em Berlim-Nikolassee foi destruído em 1943.Depois da segunda guerra mundial ensinou escultura na Landeskunstschule, Hamburgo, durante 4 anos. E em 1950 foi para Colônia onde trabalhou como artista independente.Em 1971 foi estabelecida em Bremen, Colônia e Berlim uma retrospectiva do seu trabalho.

Clarissa Mikado
Lorena Queiroz Bonfim - Design de Interiores

História da Bauhaus



“A arquitetura é a meta de toda a atividade criadora. Completá-la e embelezá-la foi, antigamente, a principal tarefa das artes plásticas... Não há diferença fundamental”.
entre o artesão e o artista... Mas todo artista deve necessariamente possuir competência técnica. Aí reside sua verdadeira fonte de inspiração criadora... Formaremos uma escola sem separação de gêneros que criam barreiras entre o artesão e o artista. Conceberemos uma arquitetura nova, a arquitetura do futuro, em que a pintura, a escultura e a arquitetura formarão um só conjunto.”.

Essa citação consta no primeiro manifesto da Bauhaus, escrito em 1919 por Walter Gropius, mostram as idéias básicas da escola e o movimento q ela causou na Alemanha, entre 1919 e 1933. A Bauhaus reuniu vários criadores de vanguarda muito importantes, que criaram idéias que iriam prevalecer em todo o mundo durante o século XX.



Período de Weimar.

Em 1919, o arquiteto alemão Walter Gropius integrou duas escolas existentes na cidade de Weimar, a Escola de Artes e Ofícios, do belga Henri van de Velde, e a de Belas-Artes, do alemão Hermann Muthesius, e fundou uma nova escola de arquitetura e desenho a que deu o nome de Staatliches Bauhaus (Casa Estatal de Construção), com sede em um edifício construído em 1905 por Van de Velde.
Um dos primeiros movimentos da Bauhaus foi o Arts and Crafts, do inglês William Morris, que procurou restabelecer a dignidade medieval do artesanato e do artesão. Porém, o ensino da Bauhaus opunha-se às concepções de Morris, contrárias à revolução tecnológica e à produção em série. Também não agradava a Gropius o estilo art nouveau, devido a seu caráter decorativo e esteticista.



A associação Deutscher Werkbund foi a que mais elevou a Bauhaus. Fundada em 1907 por Hermann Muthesius para incentivar as relações entre os artistas modernos, os artesãos qualificados e a indústria. Muthesius desejava criar o que chamava de Maschinenstil (estilo da máquina). Gropius, que foi membro da Werkbund, materializou esse objetivo, em grande parte, na Bauhaus.
A Bauhaus combatia a arte pela arte e estimulava a livre criação com a finalidade de ressaltar a personalidade do homem. Mais importante que formar um profissional, segundo Gropius, era formar homens ligados aos fenômenos culturais e sociais mais expressivos do mundo moderno. Por isso, entre professores e alunos havia liberdade de criação, mas dentro de convicções filosóficas comuns.
O ensino era suficientemente elástico, com a participação, na pesquisa conjunta, de artistas, mestres de oficinas e alunos. Para Gropius, a unidade arquitetônica só podia ser obtida pela tarefa coletiva, que incluía os mais diferentes tipos de criação, como a pintura, a música, a dança, a fotografia e o teatro.

De tal maneira a filosofia da Bauhaus impregnou seus membros que sem demora se definiu um estilo em seus produtos despidos de ornamentos, funcionais e econômicos, cujos protótipos saíam de suas Oficinas para a execução em série na indústria. O estilo Bauhaus era fruto do pensamento dos professores, recrutados, sem discriminação de nacionalidade, entre membros dos movimentos abstrato e cubista.



No início da Bauhaus, Gropius baseou-se principalmente em três mestres: o pintor americano Lyonel Feininger, o escultor e gravador alemão Gerhard Marcks e o pintor suíço Johannes Itten. A eles se juntaram depois artistas da categoria de Oskar Schlemmer, Paul Klee, Wassili Kandinski, László Moholy-Nagy e Ludwig Mies van der Rohe. Em 1925, Josef Albers e Marcel Breuer passaram a fazer parte do grupo.

Mudança para Dessau.

Ameaçada ao fim pelos conservadores por causa de suas inovações, a escola mudou-se em 1925 para Dessau, onde ficou até o começo do nazismo. Gropius projetou e construiu um conjunto de prédios que eram, em si mesmos, um manifesto de arquitetura moderna e uma das mais extraordinárias obras da década de 1920 para abrigar a Bauhaus.
As atividades da Bauhaus aumentaram em Dessau com o lançamento de publicações e a organização de exposições. Uma clara mentalidade racionalista presidia à elaboração dos projetos. Em 1928, Gropius passou o cargo de diretor ao suíço Hannes Meyer, abandonando a escola, já então consolidada, junto com Moholy-Nagy e Breuer.
A nova direção realçou ainda maior à arquitetura e assistiu à chegada das influências do construtivismo russo. Em 1930, Meyer, cuja postura esquerdista não era bem vista pelas autoridades, foi substituído pelo arquiteto alemão Mies van der Rohe. Este reorganizou a escola e deu-lhe um novo impulso.
Em 1932, com a chegada dos nazistas ao poder em Dessau, a Bauhaus se transferiu para Berlim, onde continuou a funcionar até seu fechamento definitivo em 1933. As possibilidades da vanguarda alemã, com isso, se fecharam também, mas o ensino inovador da Bauhaus já havia se difundido a essa altura nos principais centros de arte. Tal difusão tornou-se ainda maior quando os grandes mestres da escola, devido às perseguições nazistas, passaram a emigrar, principalmente para os Estados Unidos e a Inglaterra.
Em 1928, Sandor Bortink fundou em Budapest o Mühely, também chamado Bauhaus de Budapeste, que existiu até 1938.

Em 1933, Josef Albers instalou um departamento do tipo Bauhaus no Black Mountain College (Carolina do Norte, Estados Unidos) e depois na Universidade de Harvard.
Em 1937, Moholy-Nagy criou em Chicago a New Bauhaus, mais tarde incorporada ao MIT (Massachusetts Institute of Technology). Gropius passou a lecionar em Harvard e Mies van der Rohe tornou-se um dos principais arquitetos da remodelação de Chicago.
Em 1950 inaugurou-se em Ulm, na Alemanha, a Hochschule für Gestaltung (Escola Superior da Forma), dirigida por Max Bill, ex-aluno da Bauhaus de Dessau. A essa última instituição, em especial, coube dar seguimento programático às formulações da antiga Bauhaus -- uma escola que se integrou perfeitamente no contexto da civilização do século XX para dar-lhe uma visualidade própria.



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