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sábado, 27 de fevereiro de 2010

Conceito de Modernidade

Maurice de Vlaminck, Tugboat on the Seine, Chatou, 1906, National Gallery of Art, Washington, Collection of Mr. and Mrs. John Hay Whitney 1998.

O surgimento da categoria modernidade como processo histórico-social, tem inicio no mundo ocidental a partir do século XVIII. A propagação das idéias iluministas, como o uso da razão e a emancipação do homem em relação às leis divinas, foram fatores representativos que ilustraram e caracteriza esse período. Não existe consenso entre os historiadores em relação à demarcação do inicio da modernidade, alguns afirmam que desde a expansão marítima, a Europa de certa forma, já estava dentro dela.
A ruptura para com os valores arcaicos, também é outra característica da modernidade, tudo aquilo que era tradicionalmente inquestionável, passa a ser plausível de discussão, ou seja, no começo da modernidade, a razão iluminista estava na moda.
Utilizamos muitas vezes a noção de modernidade associada à de progresso. As raízes dessa comparação, talvez esteja no fato de que os desenvolvimentos científicos, juntamente com a idéia de liberdade e igualdade entre os homens, emanciparam o homem europeu da submissão as leis naturais e divinas.
O conceito de "pessoa" nesse período, passa a ser substituído pelo de "individuo", teoricamente assim todos os homens passaram a ter os mesmos direitos jurídicos. Essa substituição foi essencial para a propagação dos valores liberais, que tinha como uma das missões, inserir no plano econômico, o livre comércio.
Mudanças bruscas aconteceram no ocidente durante a modernidade, principalmente nos planos culturais, artísticos, econômico, religioso, político. Talvez esse seja o fator que nos faz associá-la sempre a idéia de ruptura e de novidade.

Grupo:
Jean Pierre Pierote
Lívia Nunes
Carolina Soares
Angélica Queiroz

O Moderno


Mário Chiattone. Construção para a Metrópolis Moderna.1914.

Muitas pessoas, quando iniciam seus estudos nas artes, tendem a confundir os significados das palavras moderno, modernidade e modernismo, visto que comumente não são passíveis de definições fixas, estando sempre sujeitas a modificações e alterações. Mas os significados destas nomenclaturas são realmente diferentes.

Moderno é o termo usado para indicar algo que é contemporâneo à época da produção. Empregado inicialmente na modernidade (Idade Moderna), esse termo foi muito utilizado para indicar o modernismo (a maneira modernista) e ultrapassou os limites de seu tempo, sendo ainda hoje bastante comum (na nossa contemporaneidade). Isso porque considera-se como moderno tudo que se oponha ao antigo.

A perspectiva moderna começou a se desenvolver quando o conhecimento e a arte se entrelaçaram com o conhecimento científico. Ou seja, algumas obras do período moderno e outras do período contemporâneo podem ser julgadas como modernas, pelo simples fato de simbolizarem o que é presente e atual (em relação ao tempo e ao espaço de sua produção). Da mesma forma é possível determinar algumas outras obras feitas nestes mesmos períodos como não-modernas, por serem retrógradas.

Como entendimento de moderno, tem-se a assimilação de trabalhos que contenham uma nova abordagem, com rompimento de padrões e regras artísticas. Isto é, o abandono de uma arte literal e acadêmica, rumo a novas visões, mais abstratas e menos figurativas. Assim sendo, pode-se resumir o moderno como a representação de “uma atitude específica para com o presente”.

BIBLIOGRAFIA:

ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. 10ª Edição. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
STANGOS, Nikos. Conceitos da Arte Moderna. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000.

GRUPO:
Ana Carolina A. de Castro
Cristiane Fernanda de Jesus
Eliane Apolinária Alves

Moderno, Modernidade e Arte Moderna


James Ensor (1860-1949). A entrada de Cristo em Bruxelas, 1889. Óleo sobre tela, 250 X 434cm. Museu Real de Belas Artes, Antuérpia.

MODERNO

Francis Frascina no seu livro Modernidade e Modernismo, diz que poderemos empregar a palavra Moderna de forma bastante vaga para significar do presente, ou do que é atual. Neste sentido informal, ela se refere ao que é contemporâneo e é definida por sua diferenciação em relação ao passado.
Moderno não significa apenas o presente, mas representa uma atitude especifica para com o presente.
Aplicado a Arte, o termo Moderno pode designar um período da História, e pode ser usado para discriminar entre diversos tipos de arte produzidos neste período. Destacando em alguns pintores o direito de serem chamados modernos.
Segundo Baudelaire, o Moderno na Arte está relacionado a uma experiência que encontra sempre em transformação, que não permanece estático.
Termo reivindicado a partir do Renascimento, movimento intelectual e artístico originário na Itália no século XIV e difundido pela Europa nos séculos seguintes. Para os Iluministas, o Renascimento lançou as bases de uma nova civilização ocidental, buscando na herança greco-romana o modelo de homem, arte e sociedade, descartando-se os valores da sociedade medieval, cristã e agrária. Sociedade que não atendia as novas concepções presentes no espírito de criatividade, engenhosidade e aventura do homem moderno, desbravador de novos mundos pelos oceanos distantes, objetivando a Europa como centro irradiador dessas transformações em nome da razão e do progresso.

MODERNIDADE

Modernismo ou Modernidade, estado ou qualidade do que é Moderno.
O termo Moderno e Modernidade não são possíveis de definição fixa, são relativos e sujeitos a mudanças históricas. Isso se levarmos em conta as circunstâncias que, numa referida época significou ser Moderno.
Modernidade é definida como sendo um termo utilizado para articular um senso de diferenciação com relação ao passado, e descrever uma identidade peculiarmente moderna.
Baudelaire define-a como sendo o transitório, o fugidio, o contingente, a metade da arte, cuja outra metade é o eterno e o imutável.
No contexto da historia da Arte, o Modernismo, também assim designado, foi um conjunto de movimentos culturais que permearam as artes na primeira metade do século XX.
Tenta resgatar a pintura da condição de inferioridade e não atualidade em que se encontrava. Baseando na idéia de que as formas ditas tradicionais das artes plásticas tornaram-se ultrapassadas e que se fazia fundamental abandoná-las e criar nesse lugar uma nova concepção do que seria Arte.
A essência do pensamento modernista argumentava que novas realidades do século XX eram permanentes e iminentes, e que as pessoas deveriam se adaptar a suas visões do mundo a fim de aceitar que o que era novo era também, bom e belo.


ARTE MODERNA


A Arte Moderna nasce de uma ruptura de poéticas opostas e complementares da arte clássica e romântica, sugerindo ao artista de seguir a realidade, libertando as suas percepções de quaisquer preconceitos ou convencionalismo, para manifestá-la em sua plenitude de ação cognitiva.
A arte dita moderna aparece no circuito da historia da arte como uma contestação a arte acadêmica, dos salões oficiais, e de orientações realistas recusando os hábitos de ateliê, de dispor e iluminar os modelos, dando um total desinteresse pelo objeto e preferência pela paisagem e natureza morta.
A Arte Moderna, antes de tudo, elimina todas as influências de uma arte sobre outra.
O artista moderno defende a arte como sendo autônomo e despojado de elementos estranhos a eles, buscando uma lógica de representação e de uma funcionalidade puramente social da arte. Por conseguinte, desenvolvimento dos gêneros mais apropriados para a análise da realidade natural e social, recusando a retórica figurativa Barroca e da função comemorativa tradicional da figuração alegórica e histórico- religiosa.
Requer nesse sentido, uma autonomia e especialização profissional dos artistas.
A Arte Moderna é o marco de uma revolução artística - REALIDADE E CONSCIÊNCIA...


Érika Ramos
Licenciatura em Artes Visuais

Arte Moderna


Henri Matisse.Alegria de viver,1905-1906.Óleo s/ tela. Barnes Foundation, Lincoln University, Merion, PA, USA.

Arte Moderna. Sob essa denominação podem ser considerados, de forma genérica, os variados movimentos artísticos que surgiram do início a metade do século XX, principalmente na Europa. Muitos não chegaram a se organizar enquanto escolas com manifestos e programas, mas outros apresentavam objetivos e teorias definidas previamente. Apesar da variedade de propostas plásticas e teóricas, o diálogo entre estes movimentos era inevitável seja na forma de confronto, ou enquanto influência estética. A grande proximidade com a literatura, cinema e outras manifestações artísticas aumentou a preocupação com os conceitos, as teorias e as idéias que condicionavam e predefiniam a natureza do próprio objeto de arte. O envolvimento político e social de muitos movimentos da arte moderna também refletia a necessidade de compreender as mudanças pelas quais o mundo estava vivendo, como as experiências da 1ª e da 2ª Guerra Mundial, a industrialização e urbanização das cidades, os avanços da técnica e da ciência, o progresso social e as revoluções populares. Esses temas fizeram-se presentes de forma mais direta em algumas vanguardas, enquanto em outras optou-se pela pesquisa da plasticidade e de novas formas de expressão.
A arte moderna acompanhou as mudanças inicialmente propostas pelo Impressionismo e a partir deste ponto assumiu uma posição crítica em relação às convenções artísticas acadêmicas, aos temas oficiais e à própria maneira de se representar a realidade. Entre as variadas linguagens que surgem sob a denominação de arte moderna existia um eixo comum que questionava a representação ilusionística da realidade ao tentar impor a tridimensionalidade ao plano da tela. Esta nova percepção inaugurou o espaço moderno na pintura e a pesquisa aprofundada das cores em seus tons puros, a fragmentação dos objetos e planos, a deformação das figuras e a abstração das formas. A experimentação passou a ser um método de trabalho tanto para as tendências mais "racionalistas" da arte moderna, quantos as "irracionalistas". Devido as especifidades da arte moderna e a multiplicidade de representantes, optamos por uma síntese de cada movimento com seus principais atuantes.

Fauvismo - grupo de artistas sob a liderança de Henri Matisse (1869-1954) que exploravam as possibilidades das cores em seus tons puros e fortes, sem sombreados, fazendo salientar os contrastes, com pinceladas diretas. A temática não é relevante, não tendo qualquer conotação social ou política. Teve presença marcante na França entre 1905 e 1907 e impacto nas tendências expressionistas.
Artistas: Henri Matisse (1869-1954); André Derain (1880-1954); Maurice de Vlaminck (1876-1958).

Expressionismo - tendência de arte que se desenvolveu na Alemanha, entre 1905 e 1914. Fazia oposição ao impressionismo francês e defendia a expressão que se manifestava do artista para realidade. Vários grupos apresentaram influências expressionistas, mas o mais conhecido foi o Die Brücke ('A Ponte'), criado em 1905 em Dresden. Este grupo definiu os procedimentos e fundamentos do expressionismo alemão. Após os anos 50 é nos Estados Unidos que se encontrará influência deste movimento com o expressionismo abstrato.
Artistas: Vincent van Gogh (1853-1890); Paul Gauguin (1848-1903); Edvard Munch (1863-1944); Georges Rouault (1871 – 1958); Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901).

Cubismo - movimento artístico que tem como marco inicial 1907 quando Pablo Picasso apresentou seu quadro Les Demoiselles d'Avignon, em Paris. O cubismo promove a recusa da arte como imitação da natureza e propõe novas formas geométricas para se visualizar a realidade tendo como objetivo fundamental capturar a estrutura dos objetos, a simplificação das formas, dissociando-as do real.
Este movimento dividiu-se em duas fases: cubismo analítico (1909-1912) com o foco na decomposição dos objetos e planos e no monocromatismo; e cubismo sintético (1912-1913) no qual elementos estranhos à pintura são incorporados às telas criando as colagens.
Artistas: Pablo Picasso (1881 - 1973); Georges Braque (1882 - 1963); Juan Gris (1887 - 1927).

Construtivismo
- movimento de vanguarda com base na Rússia que trata a pintura e a escultura como construções, estabelecendo grandes conexões com a arquitetura em termos de materiais, procedimentos e objetivos. Diretamente influenciado pela revolução de 1917 na Rússia, o movimento discutiu profundamente o papel social da arte e sua produção concreta para sociedade.
Artistas: Vladimir Evgrafovic Tatlin (1885 - 1953); Alexander Rodchenko (1891 - 1956).

Surrealismo - o termo surrealismo, cunhado pelo poeta André Breton, apareceu no primeiro manifesto do grupo, em 1924, no qual defendiam a valoração do mundo dos sonhos, do irracional e do inconsciente para a produção das obras. Movimento amplo que envolveu literatos, cineastas e fotógrafos e que reforçava o imaginário, os impulsos ocultos e o caráter anti racionalista com base em leitura livre das teorias de Sigmund Freud.
Artistas: René Magritte; Joán Miró; Salvador Dalí; Alexander Calder; Hans Arp (1886-1966).

Dadaísmo - movimento artístico que não procurou estabelecer programas de ação nem estilos específicos. Tratava-se de uma crítica cultural mais ampla aos modelos e valores culturais e sociais anteriores. Suas manifestações eram pautadas pela desordem, escolhas aleatórias, choque e escândalo. Sua criação data de 1916 quando da criação do Cabaré Voltaire, em Zurique, espaço para as manifestações artísticas variadas. Ficou mundialmente conhecido pelos ready-made de Marcel Duchamp com os quais proferiu uma forte crítica ao sistema da arte.
Artistas: Francis Picabia (1879); Marcel Duchamp (1887-1968); Man Ray (1890-1976).

Suprematismo - movimento russo de arte abstrata, surgiu por volta de 1913 tendo como principal representante o pintor Malevich e o poeta Maiakóvski. Defendiam a pesquisa profunda da estrutura da imagem com o intuito de se alcançar a “forma absoluta” através de formas geométricas básicas associadas a uma pequena variação de cores. Em 1918, Malevich declara o fim do movimento por esgotamento do projeto inicial.
Artista: Kazimir Malevich (1878-1935).

Neoplasticismo - movimento associado às novas propostas plásticas de Mondrian e Doesburg apresentadas pela revista De Stijl (O Estilo) criada pelos dois artistas holandeses em 1917. Buscavam uma nova forma de expressão baseada em elementos mínimos como a reta, o retângulo e as cores primárias, além do preto, branco e cinza. A redução da plasticidade rejeitava os princípios da tridimensionalidade no espaço pictórico, as linhas curvas e as texturas. A revista e o movimento deixa de existir oficialmente em 1928.
Artistas: Piet Mondrian (1872-1944) e Theo van Doesburg (1883-1931).

Futurismo - surgiu como movimento literário a partir do manifesto escrito em 1909 pelo poeta Marinetti, mas logo recebeu adesão de artistas e outros intelectuais. De raiz fortemente italiana o futurismo colocava-se contra o passado burguês e tradicional, glorificando o mundo moderno, a ciência, a técnica, a velocidade, a máquina e os meios de comunicação como o cinema. De forte aspecto político esteve associado também ao fascismo e ao nacionalismo. A pesquisa do movimento e o dinamismo são elementos marcantes das obras deste grupo.
Artistas: Umberto Boccioni (1882 - 1916); Luigi Russolo (1885 - 1947).

Abstracionismo - movimento liderado por Wassily Kandinsky, surgiu em 1910 e defendia o uso de uma linguagem puramente abstrata, alcançando ritmo e dinamismo através da cor e das formas. Uma expressão artística tipicamente não-figurativa, sem a busca por uma representação da realidade como é vista.
Artista: Wassily Kandinsky (1866-1944).

Arte moderna no Brasil

A arte moderna no Brasil tem como marco simbólico a Semana de 1922, realizada em São Paulo. O evento foi organizado por intelectuais e artistas por ocasião do Centenário da Independência e declarava o rompimento com o tradicionalismo cultural na literatura, na música e nas artes plásticas. As discussões sobre uma renovação artística vinha de antes deste evento com exposições isoladas de artistas brasileiros, mas convencionou-se considerar o ano de 1922 como marco principal dessa emancipação artística. Entre os participantes da Semana de Arte Moderna estavam os artistas Anita Malfatti (1889 - 1964), Di Cavalcanti (1897 - 1976), John Graz (1891 - 1980), Vicente do Rego Monteiro (1899 - 1970), Victor Brecheret (1894 - 1955) entre outros.
Entretanto, apesar do contato direto de muitos artistas brasileiros com as vanguardas européias, nesse momento, não se tratava de inovações significativas para arte brasileira. Novas expressões artísticas surgiram, principalmente a partir de 1930, associadas a um interesse pelas temáticas nacionais e por nosso passado cultural e social. Os artistas influenciados pelas vanguardas e por esse momento cultural nas principais cidades do país estabelecem estilos próprios não se enquadrando especificamente em nenhum dos movimentos da arte moderna.



Referências bibliográficas


GOMBRICH, E.H. A História da Arte. Rio de Janeiro: LTC. p. 535-536.
STANGOS, Nikos (org.). Conceitos da arte moderna. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1995.
TASSINARI, Alberto. O espaço moderno. São Paulo: Cosac e Naify, 2001. p. 34-38.


Grupo:
Bárbara Lopes
Laiz Galvão
Renata Siquieroli
Tatianny Leão Coimbra

domingo, 15 de novembro de 2009

terça-feira, 14 de julho de 2009

Arte Moderna - Vanguardas Artísticas

As enormes modificações que a tecnologia e a fabricação em massa, que se avolumaram com a crescente urbanização geral das sociedades durante o século 19, não podiam deixar de afetar as artes. O próprio movimento de secularização do estado e da sociedade, iniciado com a Revolução Francesa de 1789 e aprofundado com a Revolução de 1848, fez com que novos rumos temáticos e estéticos fossem buscados pelos artistas e pelos literatos. Primeiro os pintores e, em seguida, os escultores, sentiram-se profundamente afetados pela invenção da fotografia (1839), que logo passou a dominar os mais amplos campos da realidade: do retratismo à paisagem.

Salvador Dalí- Desnudo en un paisaje, 1922-1923

O trajeto da arte moderna no século XIX acompanha a curva definida pelo romantismo, realismo e impressionismo, o rompimento com o “passado” primeiramente surgiu com o Movimento Impressionista, numa época em que a fotografia se expandia, a arte já se mostrava defasada, redundante, os artistas saíram dos ateliês rumo às ruas, para retratar pessoas comuns em seu dia a dia nos parques, nos cafés, rompendo com os conceitos acadêmicos, tanto com a temática quanto com a forma, desta nova forma de se fazer arte que a arte moderna emergiu, levantando a idéia que persiste ate os dias de hoje, de que INOVAR é essencial, fazendo da aversão ao passado o seu preceito fundamental.

Wassily Kandinsky. Gorge improvisation, 1914. Óleo sobre tela.

O Modernismo se entendia como essa negação ao academicismo, buscando novas formas de se fazer arte, de se trabalhar com as cores, simetria, volume etc. distanciando assim cada vez mais da perfeição representativa da arte clássica. Dentro desse movimento modernista surge a Arte Moderna, o termo engloba os movimentos de vanguardas artísticas do inicio do século XX, futurismo, cubismo, expressionismo, suprematismo, construtivismo, dadaísmo, surrealismo, etc. até meados da década de 60.
A arte moderna se concentrava menos na realidade visual externa e mais na visão interna do artista, a arte do inicio do século XX não apenas decretou que qualquer tema era adequado, como também libertou a forma e a cor da obrigação de representarem com exatidão os objetos.

Fovismo

O primeiro movimento importante de vanguarda foi o fovismo mesmo durando apenas quatro anos. “O fovismo não é tudo, é apenas o começo de tudo” comentou Matisse, um dos mestres do fovismo. O movimento nunca se nomeou um movimento, embora os artistas como, Derain, Vlaminck, Rouault, Braque, Dufy trabalhassem juntos e tivesse Matisse como seu porta-voz. Os fovistas buscavam cores vibrantes, que expressassem os sentimentos diante das imagens, sem a obrigatoriedade de serem fiéis as cores reais.

Matisse, Harmony in Red- 1908

Matisse fora um dos principais artistas da arte moderna, libertando o uso das cores, ele dizia que a cor deveria expressar nossas próprias emoções, Matisse buscava reter apenas as qualidades essenciais do tema, em seus últimos anos fora tomado pela artrite, doença que o impossibilitou de continuar pintando, então ele se dedicava a recortar formas imaginarias em papel colorido para fazer enormes e alegres colagens, em suas colagens Matisse manteve o que mais valorizava em suas pinturas, as cores vivas e uma forma simplificada quase “minimalista”.

Maurice de Vlaminck, Tugboat on the Seine, Chatou, 1906

Vlaminck era um dos fovistas mais extremos, excessivo, exaltado e com uma tremenda vontade de revolucionar, era fortemente apaixonado e influenciado por Van Gogh, juntamente com Derain, passou a esguichar tinta do tubo diretamente na tela, formando grossas camadas que eram espalhadas com espátulas.
Derain foi uma figura importante no fovismo e um dos percussores do cubismo. Outros artistas fovistas Dufy e Rouault também usavam das cores fortes, porém o primeiro pintava imagens alegres, festas em jardins, corridas de cavalo, enquanto o segundo se diferenciava dos demais fovistas, por pintar imagens cheias de sofrimento e dor.

. Dufy.

Cubismo

Quase que paralelamente ao fovismo, surgiu um dos principais pontoxs da arte no século XX, o Cubismo, foi Matisse quem nomeou o movimento, ao ver uma paisagem de Georges Braque, Matisse afirmara que não passava de “cubinhos” e o nome pegou.

Picasso. Guitar, 1912 Picasso: Guitar, 1924

O Cubismo não era exatamente definido por cubinhos. Os artistas cubistas, Picasso, Braque, Gris e Léger, na verdade quebravam os objetos em pedaços. O cubismo se dividiu em duas fases,
O Cubismo Analítico; onde as formas dos objetos eram analisadas, partidas em fragmentos espalhados pela tela, e o Cubismo Sintético;onde Braque e Picasso inventaram uma nova forma de arte denominada “colagem”, eles incorporavam letras de estêncil e recortes de papel as pinturas.

Georges Braque. Garrafa, jornal, cachimbo e copo, 1913.

Juan Gris e Fernand Léger também contribuíram significativamente para o cubismo sintético.
Manifesto Cubista;
(artigo: éditations esthétiques/Sur la pinture) (Apollinaire, Picasso, Braque Cézanne,Cendras, Cocteau) 1913: decomposição da estrutura clássica, representação da realidade pelas estruturas geométricas, em busca da verdadeira beleza.

Pablo Picasso. As Meninas (1957).

Futurismo

Na década seguinte ao surgimento do cubismo, a Europa passava por extremas mudanças, a primeira guerra mundial, a revolução russa, e a tecnologia que se desenvolvia aceleradamente, neste contexto caótico os artistas buscavam novas formas de se expressarem diante dos fatos, surgindo movimentos como o futurismo e o construtivismo.
O Futurismo surgiu na Itália, inicialmente na literatura com Marinetti e logo invadiu o campo das artes, artistas como Umberto Boccioni, Giacoma Balla, Carlo Carrã, Luigi Russolo e Gino Severini buscavam reverenciar o novo, a revoloção tecnológica, as ferrovias, aviões, todo o movimento da vida contemporânea.

Balla. The Dynamism of a Dog on a Leash, 1912

Os futuristas se mostravam hostis com a arte clássica, Boccioni ,líder do futurismo, traduzia bem as crenças de Marinetti, que julgava um carro em movimento mais belo que qualquer obra renascentista, Boccioni se voltou para as eculturas, almejava reviver a arte das esculturas, dar um novo sentido a elas, a sua obra “ Formas Unicas de Continuidade no Espaço” mostrava toda a força e dinamismo da vida moderna,

Boccioni.Formas Únicas de Continuidade no Espaço- 1913

Aos 34 anos Boccioni sofreu um acidente de cavalo e faleceu, não tardou e o futurismo também teve seu fim.
Manifesto Futurista ;
(Marinetti, Maiakóvski) 1909: celebração do moderno quebra total com o passado (museus são antiquados, “urnas funerárias”) e com a mitologia. Culto à velocidade, ao avião, ao automóvel, ao movimento em geral.

Suprematismo

Outro pioneiro da arte abstrata foi Malevich, ele buscava liberar a arte do objeto, pintava quadrados flutuando sobre fundos brancos, e mais tarde, quadros branco sobre o branco, buscando simplificar tanto as cores como as formas ao estado mais puro.
Manifesto Suprematista;



(Kassimir Malevitch, Maiakóvski) 1915: deposita na emoção a primazia suprema sobre qualquer outra consideração artística, seja de experiência psíquica ou real. Acolhe a natureza como "emoção não-cognitiva", e afirma a radicalização do abstracionismo geométrico.

K. Malevitch. Non-objective composition, 1915. Óleo .

Construtivismo

A pintura que elege formas geométricas puras como conteúdo, encontra suas raízes no Suprematismo. O Suprematismo evolui, modifica-se e recebe o nome de Construtivismo. O escultor russo Naum Gabo (1890-1977) destacou-se no Construtivismo russo e na Arte Cinética.

Naum Gabo. Construction in Space with Crystalline Centre 1938-40, Perspex and celluloid (Sa).

Derivado do Suprematismo era um movimento que vangloriava a vida moderna era o Construtivismo, surgido na Rússia, tinha como características a arte geométrica que refletia a tecnologia moderna. Por volta de 1914, Tatlin inaugurou a arte geométrica russa. Chamando a de arte abstrata e “construtivismo”, pois propunha construir a arte, Tatlin usava matérias industrializados., como vidro, plástico , metal, em composições tridimensionais, além de Tatlin , o construtivismo teve outros artistas como: Ilya Chashnik, Alexandra Exter, Naum Gabo, El Lissitzky, Antoine Pevsner, Lyubov Popova, Aleksandr Rodchenko, Olga Rozanova, Varvara Stepanova, Aleksandr Vesnin.



O Construtivismo marcou o fim de uma era brilhante. Em 1925, o Comitê Central do Partido Comunista saiu contra a abstração; em 1932 todos os grupos culturais foram dispersos, e em 1934 um novo estilo de propaganda do realismo social se tornou a única abordagem artística oficial da União Soviética.
Neo-plasticismo

O Neoplasticismo é um dos movimentos construtivistas do início do séc. XX. Sua característica é a busca de objetividade, é o desejo de declarar-se anti-individualista, e pretender a universalidade e a permanência. O holandês Piet Mondrian foi considerado o pai do Neoplasticismo.
Sua obra, de rigorosa disciplina geométrica, baseia-se no dualismo horizontal-vertical, no ângulo reto, no uso das cores primárias e dos tons preto, branco e cinza. A herança cultural de Mondrian e sua formação artística, influenciada por Georges Braque e Pablo Picasso, são elementos que determinam a abstração geométrica desenvolvida por Mondrian no Neoplasticismo. Mondrian procura, pesquisa e consegue um equilíbrio composicional, despojado de todo excesso de cor, linha ou forma. Nada deve ser supérfluo em sua obra, que terá grande influência na arquitetura moderna.

Piet Mondrian. Composition RYB.

Dadaísmo

O Dadaísmo fora fundado em Zurique, território neutro, em 1916 por um grupo de refugiados da I Guerra Mundial. O movimento que durou 7 anos parecia muitas vezes sem sentido, mas tinha como objetivo protestar contra a guerra, onde as atrocidades eram tamanhas que cultivar o absurdo não seria um “absurdo”. O dadaísmo saiu de Zurique e se expandiu pela França, Alemanha e Estados Unidos, buscando denunciar as loucuras do mundo, escandalizando e subvertendo os valores.

Hans Arp: "Estojo de um Da", 1920 Kurt Schwitters: "Mz 26, 41. okola", 1926
Madeira policromada, 27,5 x 39 cm Colagem, 17,5 x 14 cm

Entre os Dadaístas como Hans Arp e Schwitters, Marcel Duchamp foi de fato o mais importante, e uma das figuras mais influentes da arte moderna, inspirando diversos movimentos seguintes ao dadaísmo, Para ele a concepção da obra valia mais que o resultado final, sendo a idéia parte principal desta. Duchamp inventou uma nova forma de arte chamada ReadyMade, que usava objetos prontos para a concepção da obra de arte, seja em composições ou como no caso de sua mais polemica obra, um urinol de porcelana com a assinatura R. Mutt. Duchamp introduziu a idéia de que se um objeto é tirado de seu meio, e é colocado diante do espectador, perde sua característica usual para ser “arte”, mudando o conceito do que de fato pode ser considerado como arte.

Marcel Duchamp. Fonte. 1917.

Manifesto Dadaísta;
(Tristan Tzara, Franz Jung, Marcel Duchamp, Picabia e Man Ray) 1919: "Dadá é o diluvio após o que tudo recomeça"; o que havia era a guerra, o nada. O artista devia produzir uma antiarte, uma antiliteratura.

Surrealismo

Manifesto Surrealista;
(Andre Breton, Louis Agarro, Aratu, Paul Enludra, Salvador Dali e Luís Buñuel) 1924: influencia da psicanálise de Freud. Ênfase nos sonhos, e nas hipnoses. Exploração do inconsciente, do sonho, do fantasioso.
Derivado do movimento dadaísta surge o surrealismo, que floresceu na Europa e Estados Unidos, nas décadas de 20 e 30.

Max Ernst. Celebes. 1921.

O movimento iniciou na literatura, promovido por André Breton, influenciado pelas teorias de análise de sonhos freudianas. Logo tanto poetas como pintores começaram a fazer experiências com o automatismo - uma maneira de criar sem controle consciente - para despertar o imaginário inconsciente. O surrealismo buscava ir além da realidade, chegando ao irracional, ao fantasioso, ao bizarro que não era entendido por meio da lógica.

Miró. Carnical of Arlequin, 1924.

O movimento se dividiu em duas vertentes, uma que seguia a arte improvisada, o automatismo, como no caso dos pintores Miró e Max Ernst e outra que usava de técnicas rigorosamente realistas para expressar cenas alucinatórias, como no caso de Salvador Dalí e René Magritte.
De fato todas as pinturas surrealistas desafiavam o senso comum, imagens de submundos psíquicos, fantasiosas, ininteligíveis que iam além da razão, promovendo uma atenção mental extra no expectador.

Expressionismo

Manifesto Expressionista ;
(Kassimir Edschmid, V.Kandinsky, Franc Marc, Egon Schiele, F. Murnau (cinema) 1917: arte resultante da expressão da vida interior, de imagens que se originam do fundo do ser. Artista instrumento da expressão, contra o positivismo e contra o naturalismo.

Edvard Munch. Cinzas (1894). Óleo sobre tela. 120 x 141 cm.

O expressionismo tinha como idéia a dissolução da forma convencional, o uso abstrato da cor, a emoção vigorosa, a psique do desconhecido, o uso dos símbolos e o enaltecimento da alma humana. O expressionismo tenta refletir um mundo interior de significado, logo o desespero e a neurose de um povo derrotado, transfigurado em uma idéia de reforma social.
O vocábulo Expressionismo é uma criação da estética alemã, vinculada a Revista Der Sturm (A Tempestade).

Paisagem de Van Gogh.

Os precursores deste movimento apareceram no século XIX, sendo Van Gogh, Ensor e Munch, mas o movimento acabou firmando-se com dois grupos, Die Brücke (A Ponte), de Dresden, em 1905 e o Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul), de Munique, em 1909.
o expressionismo foi um "movimento de muita dinamicidade, a ponto de, ao liberar energias de forma tão febril, criar uma impressão inicial de caos absoluto.
“O expressionismo nada mais é que uma prospecção de estados fronteiriços e posições extremas, que freqüentemente implicam crises de indecisão e gestos hiperbólicos dirigidos simultaneamente em direções contrárias", afirma Roger Cardinal.

Expressionismo alemão - “Der blaue reiter”

Desde o Impressionismo, a arte abandona a representação da natureza, como expressão fotográfica. Gradativamente, a forma vai perdendo o seu significado específico, de algo natural, descompromissado com a realidade física. Torna-se antinaturalista.A arte abstrata altera os valores formais da arte, passando do mundo concreto para o subjetivo.
O artista cria suas imagens. A natureza é uma fonte de idéias, mas o artista moderno tem nova percepção do mundo. Ele expressa uma realidade interior. O abstracionismo apresenta várias fases, desde a mais sensível até a intelectualidade máxima.
Esses artistas aprofundam-se em pesquisas cromáticas alcançando efeitos de perspectiva através das tonalidades e matizes obtidos. Querem e criam um Expressionismo abstrato, que transmite sensibilidade e emoção.
Em 1910 surge em Munique outro movimento de arte vanguardista, O Cavaleiro Azul (Der Blaue Reiter) fundado por Wassily Kandinsky.
O objetivo do grupo era o de unir sob um mesmo ideal artístico criadores de várias nacionalidades e diferentes expressões, ultrapassando as barreiras culturais e ideológicas. Estes artistas concebiam a sua atividade criativa como um produto da unidade existencial entre o homem e a natureza. A base das obras seriam as experiências pessoais, as sensações e os sentimentos subjetivos de cada um.

Wassily Kandinsky. View of Murnau, 1908. Oil on cardboard 33x44.5 cm.

A arte dos elementos de A Ponte caracterizou-se por uma linguagem plástica rude e agressiva na forma e nos conteúdos.Recorreram a uma linguagem visual direta e não convencional, transformando a realidade num código pictórico. Desse modo aproximaram-se de modos de representação arcaizantes e primitivos. As redescobertas, por parte de Kirchner, das técnicas da xilogravura e da gravura sobre metal, contribuíram para o endurecimento formal das figuras, através da acentuação e simplificação das linhas de contorno.

Ernst-Ludwig Kirchner. Auto-retrato. xilogravura.

Action Painting;

Assim é chamado o Expressionismo abstrato americano. No início dos anos 40, surge em Nova Iorque, um estilo original de pintar, é a “Action Painting” ou pintura de ação, criada por Jackson Pollock (1912-1956).
A pintura de ação revolucionou a arte americana ao tentar ignorar o automatismo psíquico da criação e tentar traduzir apenas o gesto ou ação de pintar. Sua pintura é linear, caligráfica, inspirada escrita japonesa, sua característica maior é o movimento, resultado de um gesto, derramando a tinta ou usando bisnagas, baldes, pincéis ou mãos sobre o suporte estendido no chão.

Jackson Pollock. Number 8. 1949.

Espontânea, livre e instintiva é a pintura de Pollock: é um espaço sem tempo, sem lugar. É o espaço polisensorial. Não há volumes. Há uma sucessão de rabiscos e manchas coloridas.

Modernismo no Brasil.
A primeira mostra de arte não acadêmica realizada no Brasil foi feita por um estrangeiro, Lasar Segall, em 1913, nas cidades de São Paulo e Campinas. Entretanto, suas exposições não causaram grande repercussão.

Lasar Segall. A Família

A exposição de Anita Malfatti parece ter sido o estopim para a reunião desses artistas ansiosos por mudanças. Em 1922, possivelmente através de uma sugestão de Di Cavalcanti, a Semana de Arte Moderna seria realizada, marco do Modernismo brasileiro. Reunindo diversas atividades como leituras de poemas, espetáculos de dança e exposição de artes plásticas o evento iria sacudir São Paulo dos anos 20.

Tarsila do Amaral. Abaporu

Buscava que a arte brasileira estivesse tão atualizada quanto a internacional, nada devendo àquela em qualidade e, ao mesmo tempo, conservasse as características nacionais., o evento foi bastante significativo por reunir artistas talentosos ansiosos por renovações.. A partir de 1924, começam a surgir as divisões do Movimento Modernista, principalmente a partir do pau- brasil (Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, entre alguns membros) e do verde- amarelo (Menotti del Picchia e Plínio Salgado, como alguns dos representantes). A valorização do caráter nacional era importante para as duas correntes, entretanto o pau-brasil não abria mão da atualização da arte brasileira, tomando como parâmetro as produções internacionais, enquanto o verde-amarelo era mais apegado às tradições e cauteloso em relação aos movimentos vanguardistas estrangeiros. À década de 30 coube sedimentar e oficializar as conquistas modernistas. Movimentos artísticos europeus, principalmente o Expressionismo e o Cubismo inspiravam então artistas como Cândido Portinari, Guignard e Bruno Giorgi

Candido Portinari. Mulher e criança.

A temática social passaria ser grande fonte de inspiração para a geração Modernista dessa década e a técnica, que tinha assumido uma posição secundária durante os anos 20, volta a ser valorizada. O Modernismo até então, salvo alguns esforços de artistas isolados, permanecia restrito ao eixo Rio-São Paulo. Em 1944, uma exposição modernista em Minas Gerais, patrocinada pela prefeitura da capital do estado na gestão de Juscelino Kubitschek, marcaria o início do Modernismo nesse estado. 1944 também marca o início do Modernismo baiano, seguido pelo Paraná e Recife e Ceará. Enquanto a Europa procurava romper com o peso da arte passada e o abstracionismo era extremamente valorizado, no Brasil o Modernismo assumia mais a função de promover uma atualização da arte brasileira capaz de ajudar na consolidação da identidade nacional e não abria mão do figurativismo. A partir principalmente de meados da década de 40 e o pós-guerra uma arte não-figurativa começa a ser praticada e valorizada por artistas brasileiros. Em São Paulo surge o grupo Ruptura, liderado por Waldemar Cordeiro, mais ortodoxos e contrários à subjetividade. No Rio de Janeiro, em torno de Ivan Serpa, surge o Grupo Frente, menos homogêneo que o paulista e mais baseado na liberdade de criação.
A I Exposição Nacional de Arte Concreta intensifica as divergências entre os grupos das duas cidades. Surge então o neo-concretismo, originado principalmente a partir do grupo carioca, contrário à rigidez concretista dos paulistas e mais preocupado com a expressão. A experimentação passa a ser de extremo valor para os neo-concretos.

Lygia Clark.Plano em Superfícies Moduladas nº 2, 1956.Tinta industrial s/ celotex, madeira e nulac.90,1 x 75.

Destacam-se os neo-concretos Lygia Clark e Hélio Oiticica como artistas de grande contribuição para a discussão do papel da arte e do artista, permanecendo como importantes figuras de vanguarda nacional, mesmo após a dissolução do movimento.
Os anos 60 marcam o fim do Modernismo Brasileiro, sendo extremamente diversificada a produção artística no país nas décadas seguintes.

Bianca Thereza da Silva Borges - Artes Visuais – Licenciatura

domingo, 12 de julho de 2009

Design Gráfico na Bauhaus

Símbolo da Bauhaus.

1. Histórico

No mesmo ano em que a recém fundada República Alemã assinava o Tratado de Versalhes, assinado em Paris em 1919, o movimento modernista germânico dava um importante passo para a consagração internacionalmente. Naquela ocasião, em sintonia com uma época inaugurada por revoluções, golpes e tumultos de toda ordem que se estenderam pelos anos vinte, um reduzido grupo formado por profissionais das mais variadas atividades artísticas e técnicas, liderado pelo o arquiteto Walter Gropius lançou na cidade de Weimar, a “Atenas” da Alemanha, o Manifesto da Bauhaus, em abril de 1919.
A ação de vanguarda deles iria provoca uma alteração duradoura na história da arquitetura e das artes plásticas em geral. Começava então uma das mais importantes transformações do século 20: a aliança entre a estética e a tecnologia, entre o artista e a indústria.
Desde tempos imemoriais artistas e artesãos ocupavam espaços distintos no universo das artes em geral. Os primeiros sempre se viram como um espécie de aristocracia das belas artes, os favoritos das musas, enquanto os artesão, humildes, tinham como inspirador a Hefesto, o deus corcunda da forja que, infeliz, malhava o ferro incandescente na bigorna numa oficina nos subterrâneos da Terra, suando por todos os poros em meio às labaredas e às ferramentas ardentes.
Um dos primeiros propósitos da fundação da Bauhaus, em abril de 1919, foi a superação desse estigma histórico-corporativo pela educação do artista-artesão, alguém tão hábil com as mãos como enfronhado na concepção mais elevada da arte, um ser capaz de conceber um objeto qualquer, esteticamente relevante, e, ao mesmo tempo, hábil em executá-lo em conjunto com os demais colegas da construção.
Para levar tal concepção à prática, Walter Gropius, então jovem arquiteto promissor, transferindo-se de Berlim para Weimar, determinou a junção das duas escolas que lá existiam: a Escola de Artes e Ofícios e a Escola de Belas Artes: que vieram a formar a célebre Staatliches Bauhaus, ou simplesmente Escola da Bauhaus, instalada no edifício de Van der Velde.

Bauhaus de Weimar.

2. As Oficinas

Após o “Vorkurs”, o Curso Preliminar obrigatório, os alunos seguiam uma formação de artesãos nas oficinas da escola. Seguindo a concepção de unir a formação artística à formação prática, os trabalhos nas oficinas da Bauhaus, nos primeiros anos da escola, eram coordenados conjuntamente por um “Formmeister” (“mestre da forma”) e por um mestre artesão. A direção artística das oficinas era atribuída aos Formmeister assistidos pelos mestres artesãos.
Em 1919, os mestres foram artistas como Johannes Itten, Lyonel Feininger e Gerhard Marcks; em 1920, Georg Muche; em 1921, Paul Klee, Oskar Schlemmer; em 1922, Wassily Kandinsky.
As oficinas que a Bauhaus oferecia a seus alunos eram de tecelagem ( técnicas texteis), de metal (criação de objetos), de teatro e ballet, de carpintaria / marcenaria, de escultura e de tipografia e publicidade.
A denominação de oficina de publicidade a substituir o de tipografia já tinha sido utilizada sob a direção de Gropius, desde 1927. Com Meyer, associa-se a este atelier o Departamento de Fotografia e o objetivo básico era o de aumentarem os lucros da escola — através da publicidade dos trabalhos produzidos nas oficinas e das exposições.
Nesta oficina, as actividades vão centralizar-se essencialmente em exposições:
- Stand da Bauhaus na exposição da Werkbund
- Exposição Apartamento Popular da Bauhaus, Dessau.

Oficina de tecelagem.

3. Artistas e Professores

3.1 Wassily Kandinsky

Kandinky foi um artista russo, professor da Bauhaus e introdutor da abstração nas artes visuais.
Apesar da origem russa, adquiriu a nacionalidade francesa. Nascido em Moscou, passou grande parte da infância em Odessa. De volta à capital russa, estudou Direito e Economia na Universidade de Moscou, chegando a diplomar-se em Direito aos 26 anos, mas desistiu destas carreiras.
Casou-se em 1892 com a sua prima Anja Tchimikian, que acompanhou Kandinsky em 1896 quando este se mudou para Munique, iniciando os seus estudos em pintura na escola de Anton Ažbè. O estilo da escola de Ažbè desiludiu Kandinsky, que preferia pintar paisagens coloridas ao ar livre.
Após dois anos, Kandinsky tenta inscrever-se, sem sucesso, num curso ministrado por Franz von Stuck. Um ano depois Kandinsky ingressou finalmente no curso, que frequentou até 1900.

Wassily Kandinsky.

3.2 Johannes Itten

Itten foi pintor, docente e ensaista místico, associado à primeira fase da Bauhaus. Itten foi, ao lado de Gropius, a figura mais marcante da primeira fase.
Itten instituiu o Vorkurs, o ensino preliminar, no qual os alunos aprendiam de maneira totalmente nova, princípios e as técnicas mais elementares.
Em 1923 deixou a Escola por não concordar com a orientação que visava a cooperação com a Indústria, proposta por Gropius.
As suas aulas na Bauhaus eram iniciadas com exercícios de ginástica e respiratórios — segundo ele, isso descontraia e relaxava os estudantes, antes de iniciar a “direcção e ordem fluentes.”
Itten nasceu em 1888 em Suderen-Linden, na Suíça, foi professor de escola primária, e teve formação de pintor com Adolf Hoelzel, cujas didáticas de arte e teoria de composição influenciaram o seu trabalho.
Leccionou arte perto de Berna, transferindo–se para Viena para dirigir uma escola de arte. Nesta época foi apresentado a Gropius que o convidou para dar uma palestra sobre os Ensinamentos dos Mestres Antigos na Sessão inaugural da Bauhaus em 21 de Março de 1919, no Teatro Nacional de Weimar.
Em Outubro do mesmo ano, teve cadeira como docente da Bauhaus até Março de 1923 ,quando pediu demissão.

Johannes Itten.

3.3 Paul Klee

Quando assumiu suas atividades como professor na Bauhaus em Weimar, em Janeiro de 1921, o suíço Paul Klee já era um renomado pintor de vanguarda.
A escola pretendia, segundo a concepção do seu fundador Walter Gropius, formar uma geração de artistas-artesãos. No manifesto da Bauhaus, Gropius, que era um moderado simpatizante das idéias socialistas, escreveu que a escola iria “estabelecer uma corporação de artesãos sem a presunçosa divisão de classes, que tenta erigir um muro separando artesãos e artistas.”
Klee iniciou lecionando na oficina de tipografia. Depois, assumiu a chefia da oficina de vidro.
A sua atividade como professor na Bauhaus obrigou-o a desenvolver e formular claramente as suas idéias sobre aspectos teóricos da pintura e da arte.
Klee era um professor muito dedicado. Ele preparava suas aulas meticulosamente, até nos mínimos detalhes, como nenhum outro artista na Bauhaus fazia. A reação dos estudantes em relação ao professor Klee era muito variada.
As suas aulas constituíam um desafio intelectual de alto nível. Alguns dos seus alunos não se adaptavam ao seu modo. Muitos outros, entretanto, tiveram experiências valiosíssimas com Klee e aprenderam muito com ele.

Paul Klee.

3.4 Mies Van der Rohe

Nascido em Aachen, em 1886, foi o próprio Mies van der Rohe quem nos dá a chave para a compreensão de sua arquitetura ao comentar, num artigo publicado em 1961, a influência que as construções da sua cidade natal exerceu em sua obra.
Ludwig Mies (o sobrenome da mãe, van der Rohe, foi incluído por Mies mais tarde) freqüentou a escola da catedral católica construída por Carlos Magno e ajudou o pai na firma de cantaria que possuía. Passando sua infância e adolescência entre lápides e igrejas medievais, sua formação não foi acadêmica, mas de natureza prática e religiosa.

3.4 Mies Van der Rohe. Pavilhão alemão.

3.5 Marcel Breuer

Marcel Lajos Breuer foi um designer e arquitecto de origem húngara. Fez parte da primeira geração de alunos formados pela Bauhaus.
É de destacada importância o seu design de mobiliário. Os seus móveis de tubo de metal contribuíram para revolucionar o conceito do móvel.
Formou-se na primeira sede da Bauhaus (em Weimar) em 1924 e passou a lecionar nesta escola até 1928 (quando esta já estava instalada em Dessau).
Sua relação com a instituição era bastante estreita, o que acabou lhe rendendo a diretoria da instituição após a saída de Mies van der Rohe.
Enquanto docente da Bauhaus, realizou uma série de experimentações no design mobiliário. Foi aí que projetou e executou os primeiros protótipos da cadeira Wassily (cujo nome é uma homenagem ao colega Wassily Kandinsky).

Marcel Lajos Breuer.

3.6 Oskar Schlemmer
Pintor, começou a dar aulas na Bauhaus em 1920 como diretor da oficina de escultura, envolvendo-se também com a oficina de metal temporariamente; depois, assume a direção de arte teatral.

Oskar Schlemmer - Figura do Balet triádico.

4. Tipógrafos
Os mestres e tipógrafos da Bauhaus foram:

4.1 Jan Tschichold (1902-1974)
Nascido em Leipzig, Jan Tschichold praticou pintura de letras e caligrafia desde muito jovem. Tinha material suficiente e de primeira escolha; Leipzig, em Sachsen (Saxônia), era um dos grandes centros da tipografia alemã. (Ainda hoje se realiza aí uma importante feira do livro, a Leipziger Buchmesse).
O seu desejo era seguir Belas Artes e ser pintor-artista, mas os seus pais não apoiavam a perspectiva e orientaram Jan para um ofício mais seguro, tentando persuadi-lo a enveredar por uma carreira de professor de desenho.
Mas o jovem Jan Tschichold foi-se introduzindo no mundo da caligrafia e na arte de fazer livros. O seu livro de cabeceira era “Writing, Iluminating and Lettering”, obra do calígrafo e tipógrafo britânico Edward Johnston.
Passava longas horas no Museu da Imprensa de Leipzig, absorvendo avidamente todo o patrimônio histórico arquivado nesse edifício.
Em breve, Jan era perito em Buchgestaltung clássica. Mas, longe de ser um “rato de museu”, Jan orientava-se para a atualidade; a visita da Bugra (Feira do Livro e das Artes Gráficas de Leipzig) em 1914 foi uma das experiências que o moldaram – com a idade de 12 anos.
Os seus conhecimentos de francês e latim, adquiridos em Grimma, e a sua cultura humanista, serviram-lhe para se introduzir na tipografia clássica.
Passou pela Escola de Artes e Ofícios de Dresden, para logo regressar a Leipzig.
Dedicava inúmeras horas ao estudo dos livros da Biblioteca da Federação de Impressores de Leipzig, onde aprofundou o seu saber sobre tipografia clássica, especialmente Fournier, e começou a colecionar livros antigos.
Em 1921, com 19 anos, o diretor da Academia de Belas Artes de Leipzig, Walter Tiemann, propõe-lhe começar a dar classes de caligrafia neste estabelecimento.
Entre 1921 e 1925 desenhou cartazes caligráficos para várias das feiras comerciais que tinham lugar em Leipzig. Alguns dos seus trabalhos para a editora Insel Verlag foram selecionados para uma exposição internacional de caligrafia em Viena, em 1926 – evento em que se mostraram obras dos consagrados Eric Gill, Edward Johnston e Alfred Fairbank.
O seu interesse pelo desenho de tipos levou-o a fazer alguns esboços de letras para a empresa Poeschel und Trepte. A carreira profissional de Jan começara, mas o que despoletou o seu violento interesse pela tipografia de vanguarda – a “neue typographie” – foi a visita à exposição da Escola Estatal Bauhaus em Agosto de 1923.
Conheceu assim a primeira exposição da Bauhaus em Weimar e o soberbo catálogo que para o evento desenhou Herbert Bayer.

Cartaz de Jan Tschichold
"Plakate der Avantgarde. Ausstellung der Sammlung Jan Tschichold", 1930

Weimar foi o primeiro sítio onde J.T. teve a oportunidade de admirar arte moderna – e ver a tipografia tratada como meio de comunicação. Vivamente impressionado pela ruptura que os movimentos de vanguarda articulavam, deixou-se contagiar pelas mensagens vitais do movimento holandês De Stijl, do Suprematismo e do Construtivismo Russo.
A viragem radical operada na sua concepção tipográfica ficou em evidência num cartaz para a editora de Varsóvia Philobiblon, onde aplicou as idéias formais do Modernismo, como a composição assimétrica e os eixos inclinados.
Jan Tschichold começou a afastar- se da tipografia tradicional que havia estudado em Leipzig.
Em Munique, fez cartazes para o cinema Phoebus Palace, usando tipografia audaz, fotografias e cores planas, influenciado por El Lissitzky, Moholy-Nagy e Man Ray.

Cartaz de cinema de Jan Tschichold
"Die Frau ohne Namen. Zweiter Teil", 1927

Em 1928, J.T. revela as suas qualidades de comunicador publicando a sua famosa obra die neue typographie. Já em 1926, por recomendação de Paul Renner, Tschichold tinha ido para Munique ensinar na Escola dos Mestres de Artes Gráficas, onde deu aulas até ser expulso pelos nazistas em 1933.
“Tschichold, que nunca deu aulas na Bauhaus, foi o que melhor materializou as ideias da Bauhaus”, afirmou com razão Albert Kapr, mestre-tipógrafo da velha escola alemã. Leia o seu famoso artigo sobre a “elementare typographie”.
Para Tschichold, o importante da nova tipografia era adaptar-se à necessidade principal dos leitores: menos tempo disponível para absorver as informações.
Assim, professa a favor de uma tipografia em conformidade com o tempo em que vive, cujas características principais colocariam a mensagem numa situação de mínimo ruído, através da economia e precisão de elementos.

A maior parte dos impressos anteriores à nova tipografia trazia uma paginação centralizada, bordas decorativas e uma eclética mistura de diversos tipos.
A ausência de dinamismo do eixo central incomoda extremamente Tschichold, que o considera pretensioso e antiquado, por impor uma rigidez artificial aos layouts.
Em oposição a esta estética, ele propõe que a forma derive sempre da função do texto. Para atingir a disposição ideal, seria imprescindível incorporar a assimetria, valorizar os espaços brancos, explorar os contrastes e fazer uma utilização inteligente da cor.
Muitas vítimas da repressão nazista escolheram a Suíça como país de exílio, e entre elas, Tschichold. Ali foi influenciar de forma determinante a evolução da tipografia suíça.
Tschichold passou anos de sacrifícios até conseguir o direito de residência em Basel; contudo, preferiu viver na Suíça até à sua morte em 1974 – com a exceção de uma estadia em Londres, onde reformulou o design da série de livros de bolso Penguin Books.
No exílio em Basel, Tschichold reconsiderou os seus postulados de juventude, pareceu-lhe ter exagerado e ter sido dogmático, e decidiu voltar à tipografia tradicional e aos layouts de composição simétrica.
Com esta viragem de 180º regressou ao ponto por onde tinha começado a sua carreira. Vários colegas, entre eles um empoladamente polêmico e dogmático Max Bill, não lhe perdoaram este retorno às tradições – mesmo depois de Jan Tschichold ter apresentado trabalhos tão convincentes como a sua fonte renascentista Sabon
Um exemplo de publicação sobre Tschichold é um artigo de Richard B Doubleday, publicado na revista Baseline

A fonte Sabon é o resultado de um programa conjunto da Linotype, Stempel e Monotype, que queriam uma fonte que fosse disponível para composição manual, composição mecânica (linotipia) e fotocomposição.
O tipo deveria ter como ponto de partida os desenhos de Claude Garamond no século XVI.
Depois do ‘tiro de canhão’, que foi o pequeno caderno elementare typographie, Jan Tschichold publicou em 1928 o livro die neue typographie (a nova tipografia), o primeiro manual do desenho tipográfico moderno.
Die neue typographie foi o primeiro livro que Tschichold escreveu e compôs na totalidade; tornou-se o grande manifesto renovador das artes gráficas.
O livro é dirigido a tipógrafos, paginadores, impressores e publicitários, tornou-se em apenas um ano a obra de referência para orientar os profissionais sobre os princípios modernos da composição e da tipografia.
Publicada em 1928, die neue typographie é, possivelmente, a melhor obra sobre tipografia do século XX.
Pela primeira vez um livro relacionou o design tipográfico e editorial com as tendências artísticas, as necessidades técnicas e as mudanças sociais da época. Ao mesmo tempo, discute e sugere, com rigor, a normatização da Nova Tipografia na composição dos textos e na organização das páginas.
Publicou-se uma tradução americana da Neue Typographie de Jan Tschischold por Ruari McLean, que consegue ser muito fiel ao original alemão de 1928.
Recorreu-se a fontes, disposições de página, tipos de papel e de encadernação semelhantes, sendo a única concessão contemporânea a composição usando computador e a impressão com meios atuais.

4.1 Herbert Bayer (1900-1985)

Herbert Bayer nasceu na Áustria. Foi estudante da Bauhaus de 1921 até 1923, onde estudou sob a direção de Kandinsky e Moholy-Nagy.
Em 1925, Walter Gropius, na sua função de diretor da Bauhaus, convidou-o a dirigir a Oficina de Tipografia e Publicidade; assim, Bayer passou a integrar o corpo docente da Bauhaus.

Capa do Catálogo de produtos da Bauhaus, desenhada por Herbert Bayer.

Bayer pensou poder superar os limites impostos pelo vai-vem das modas; para tal, subordinou o seu desenho de letras a leis “intemporais” e “objetivas”.

Um dos seus lemas era: Os problemas de estilo e da expressão individual deviam retroceder face à “pureza da geometria” e às exigências da funcionalidade.
Assim orientado, Herbert Bayer apresentou em 1925 o protótipo de uma letra reduzida às formas geométricas mais elementares – linha, circunferência.
Bayer justificou a sua proposta: “a tipização dos elementos da letra, tendo por base o quadrado, a circunferência e o triângulo reduz o consumo de material tipográfico.”
Este método culminou numa tipografia cujas formas fossem tão elementares, que pudessem atingir uma validade “universal”.

‘‘No tipo “universal”, que Bayer apresentou em 1925 com o nome ‘sturm blond”, a redução foi extrema. A orientação que adotara – uso exclusivo de letras minúsculas, formas da geometria elementar, redução ao mais simples, universalidade – foi em breve seguido por outros artistas gráficos.

Jan Tschichold desenvolveu entre 1926 e 1929 outro alfabeto com o nome “universal”; também ele optou por eliminar as maiúsculas.

Na época da Bauhaus Herbert Bayer era um “radical de salão”, como era uso dizer-se. Era da opinião que a cultura era “artificial”, enquanto a ciência e o raciocínio seriam “puros”.
Em conseqüência, deduzia que as formas de letras simples e geométricas iriam ter um efeito benéfico na sociedade – porque assim, a sociedade não teria que se induzir em ilusões e não teria que usar estilizações aristocráticas e elitistas.

Estudo para uma fonte, 1932.

Os protagonistas da universal typographie pensavam que os novos sistemas de glifos deviam ser “nus” – nus como uma máquina, livre de embelezamentos, livre de qualquer ideologia da cultura. Apesar de Herbert Bayer advogar essa linguagem visual “nua”, também se mostrou apto a trabalhar de forma mais refinada.

“Nua e crua”: Digitalização da sturmblond de Bayer, de Paulo Heitlinger.

Em 1928, Bayer deixou a Bauhaus para seguir uma carreira de designer freelance.
Desmobilizou o seu rigor e purismo, para poder vender o seu trabalho.
Em 1933, a Fundição Berthold encomendou-lhe uma tipografia para uso comercial.
Para esta encomenda, Bayer apresentou a sua sturm blond, mas numa variante já “vestida”, ou seja: com serifas, e bastante condensada.
Houve poucos clientes do exterior interessados no design moderno e na tipografia feitos na escola Bauhaus. O sucesso comercial das idéias e dos protótipos da Bauhaus – se é que houve um tal sucesso – só começou a esboçar-se no fim dos anos 20.
Esta aceitação aumentou nos primeiros anos da década de 30 – para ser brutalmente interrompida pela barbárie nazista. Uma exceção foi a revista die neue linie.

Herbert Bayer foi diretor artístico da revista feminina Harper’s Bazaar no final da década de 1920-1930.

Trabalhou também para a revista Fortune, nos EUA, realizando excelentes ilustrações e infográficas.
Bayer trabalhou com Walter Gropius em Berlin, onde tinha o seu atelier após ter saído de Dessau.
Josef Albers, outro docente da Bauhaus, emigrou para os E.U.A. já em 1933; Herbert Bayer chegou a Nova Iorque em 1938, para finalizar os preparativos da exposição Bauhaus 1919-1928.
Bayer desenhou a exposição no MOMA a e realizou o catálogo. Este evento lançou as bases da energia vanguardista que impulsionou o design norte-americano a partir dos anos 40.
Nos EUA foi consultor da empresa J. Walter Thompson e da Dorland International. A partir de 1946 esteve ativo como professor no Aspen Institute Colorado.
Herbert Bayer, depois de trabalhar ainda longos 30 anos como artista plástico e gráfico nos EUA, fez o legado da sua obra ao Denver Art Museum.

Herbert Bayer, 50 jahre Bauhaus, Austellung, 1968

Carolina Shuvartz Pasquali - Bach. Design Gráfico